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O 90º aniversário da Segunda República de Espanha serviu de pano de fundo para um novo confronto no Congresso espanhol entre os partidos de esquerda e direita sobre esse período histórico e a sua contribuição à democracia do país.

No início da sua intervenção para atualizar sobre o estado de emergência em vigor e os fundos de reconstrução europeus, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, elogiou a proclamação da República como um dos três feitos que tornaram Espanha "num grande país", ao lado do dia em que se aprovou a Constituição e a assinatura do tratado de adesão à UE.

"Aquele ambicioso projeto procurava a modernização do Estado e da sociedade, a consolidação da paz, a derrota da ditadura e antepor o valor da democracia", disse o socialista Sánchez, acusado depois pelo líder do conservador Partido Popular (PP), Pablo Casado, de assinalar uma data que divide os espanhóis.

"Não celebramos datas que dividiram os espanhóis, celebramos o Estado de direito e a Constituição", ressaltou Casado, que disse que esta é uma efeméride que nem o líder histórico do Partido Comunista de Espanha, Santiago Carrillo, considerava que devia ser comemorada.

O dirigente do partido de extrema-direita Vox, Santiago Abascal, juntou-se às críticas do PP e acusou Sánchez de "ignorar" o chefe de Estado, o rei Felipe VI, e de lhe ter "querido ameaçar desde a tribuna invocando esse regime criminal".

"Sequestrado por socialistas e comunistas e que levou Espanha à Guerra Civil", disse Abascal na sua crítica ao elogio de Sánchez à proclamação da II República.

Por outro lado, o porta-voz do partido de esquerda Unidas Podemos no Congresso, Pablo Echenique, enalteceu os valores republicanos neste aniversário em comparação com os do Vox, PP e Ciudadanos (liberais).

"É isto o que temos pela frente, ódio, mentiras, violência… ao contrário da ilustração e dos valores republicanos", disse.

A líder do Ciudadanos, Inés Arrimadas, mostrou-se menos crítica com o regime republicano e disse que "há muitos espanhóis que se reconhecem nessa Espanha liberal, essa terceira Espanha, de consenso, de futuro e de reformas".