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O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, anunciou esta quinta-feira, após as consultas de paz entre o Governo do Iémen e os rebeldes houthis na Suécia, uma trégua na cidade portuária de Al Hudaydah e uma nova ronda de contatos.

O acordo representa a retirada de todas as tropas da cidade de Al Hudaydah, que passará a ser controlada por forças locais, e do seu estratégico porto no Mar Vermelho, onde a ONU vai assumir um papel importante, revelou Guterres em conferência de imprensa.

Esse compromisso vai melhorar as condições de vida de milhões de iemenitas e permitir a abertura de corredores humanitários, destacou Guterres, que comunicou que a próxima ronda será no final de janeiro num lugar ainda por determinar.

"O que foi conseguido aqui é um passo importante para o povo do Iémen", afirmou Guterres, que ressaltou que o tema de Al Hudaydah era uma questão que precisava de ser resolvida "agora ou nunca" para saber se as consultas representariam um avanço no processo.

O secretário-geral da ONU também elogiou outros acordos alcançados na Suécia, como o de apresentar listas com milhares de prisioneiros para estudar uma possível troca.

Guterres chegou ontem à noite à Suécia vindo da Polónia, onde participava na Cimeira do Clima (COP24), para se reunir com as partes e presidir ao encerramento das consultas iniciadas há uma semana no castelo de Johannesberg, que fica ao norte de Estocolmo, promovidas pela ONU, as primeiras em mais de dois anos.

Os avanços conseguidos na Suécia representam "um passo importante" e o começo de um processo no qual ambas as partes mostraram "vontade" de conseguir a paz no futuro, afirmou Guterres, acompanhado pelo enviado da ONU para o Iémen, Martin Griffiths, e pela ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Margot Wallström.

As últimas conversas de paz nas quais as partes beligerantes se encontraram foi no Kuwait, em 2016. Após o seu término, a delegação houthi ficou bloqueada durante três meses em Omã porque a coligação árabe liderada pela Arábia Saudita, que controla o espaço aéreo iemenita, preveniu o seu regresso a Sanaa, a capital.

Em setembro, a ONU tentou realizar consultas em Genebra, mas apenas a delegação do governo iemenita compareceu, porque os rebeldes recusaram-se a viajar por falta de garantias para regressarem ao Iémen.

Os contatos na Suécia estiveram precedidos de uma trégua parcial entre o governo e os rebeldes, cujo trajeto ao país europeu foi supervisionado por Griffiths, para que as garantias de segurança exigidas pelos houthis fossem cumpridas.

A guerra no Iémen começou no fim de 2014, quando os houthis, que contam com apoio do Irão, tomaram o controlo de Sanaa. O conflito generalizou-se em março de 2015 com a intervenção da coligação árabe liderada pela Arábia Saudita, que recebe armas dos Estados Unidos e de outros países ocidentais, o que provocou a "pior crise humanitária no mundo" da atualidade, segundo a ONU.