EFEBerlim

O secretário-geral da ONU, António Guterres, avisou esta quinta-feira que a crise climática colocou o planeta "à beira do abismo", mensagem enviada num fórum sobre alterações climáticas convocado pelo Governo alemão.

"Com os compromissos atuais, ainda estamos a caminhar para um aumento desastroso da temperatura de 2,4 graus para finais do século. Estamos à beira do abismo", alertou.

Contudo, Guterres indicou que ainda é possível evitar as piores consequências das alterações climáticas caso haja cooperação e se aproveitar a recuperação pós-pandemia para empreender "um caminho mais limpo e ecológico".

"Isto vai permitir que tanto os países desenvolvidos como os em desenvolvimento se mobilizem para reduzir a zero as suas emissões até meados do século e criar resistência às mudanças vindouras", disse.

Guterres vê alguns sinais encorajadores, tais como países que representam 68% da economia mundial e 61% das emissões terem-se comprometido a atingir a neutralidade climática até meados do século.

No entanto, ressaltou que é necessário ainda mais no caminho para esse objetivo e que até 2030 as emissões têm de ser reduzidas em 45% em relação aos níveis de 2010 para se alcançar o objetivo de zero emissões até 2050.

Entre as prioridades para atingir esse objetivo, Guterres mencionou o abandono do carvão o mais tardar até 2030 pelos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e até 2040 para todo o mundo.

Além disso, Guterres salientou que a mudança para as energias renováveis deve ser uma "transição justa, envolvendo governos locais, sindicatos e o sector privado para apoiar as comunidades afetadas e gerar empregos verdes".

"Não podemos continuar a ter grandes infraestruturas de combustíveis fósseis em qualquer lugar. Os investimentos nisto apenas agravam a situação e nem sequer são rentáveis", sublinhou.