EFEKatowice (Polónia)

O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, pediu esta segunda-feira na sessão inaugural da Cimeira do Clima (COP24) em Katowice (Polónia), que governos e investidores apostem "pela economia verde, não pelo cinzento da economia carbonizada".

Além disso, Guterres lembrou a necessidade de "mobilizar recursos o mais rápido possível para diminuir o avanço da mudança climática" durante o seu discurso aos delegados presentes na cimeira, diante dos quais destacou a oportunidade económica que representa a transição para um modelo económico que respeite o meio ambiente.

"Não estamos a fazer o suficiente para capitalizar as enormes oportunidades sociais, económicas e ambientais que a ação climática representa", afirmou Guterres.

"Calculamos que cerca de 75% da infraestrutura necessária para que em 2050 possamos ter uma economia mais limpa ainda deve ser construída", detalhou o secretário-geral.

"Mas para conseguir isso, é preciso eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, que tanto prejuízo causam ao meio ambiente", acrescentou o secretário-geral da ONU, uma mensagem que bem poderia ter sido dirigida expressamente à Polónia, país anfitrião da COP e no qual 80% da energia é baseada no carvão, um mineral que recebe fortes subsídios na economia polonesa.

Guterres defendeu a mobilização "sem demora dos 100.000 milhões de dólares anuais" que os países desenvolvidos se comprometeram a investir no Acordo de Paris de 2015.

"Temos a responsabilidade coletiva de investir para evitar o caos climático global, consolidar os compromissos financeiros assumidos em Paris e ajudar as comunidades e nações mais vulneráveis", pediu Guterres no seu discurso de abertura da COP, na qual não compareceu nenhum dos líderes dos principais países desenvolvidos.

"Trata-se de um investimento num futuro mais seguro e, com o tempo, menos custoso", afirmou o secretário-geral da ONU, que lamentou que, "mesmo quando somos testemunhas dos devastadores impactos climáticos, que causam estragos em todo o mundo, ainda não estamos a fazer o suficiente, nem estamos nos movimentando suficientemente rápido, para evitar uma interrupção irreversível e catastrófica do clima".

A Cimeira do Clima, que vai até 14 de dezembro, tem a missão crucial de encontrar as fórmulas para implementar o Acordo de Paris de 2015, que determina a contenção do aquecimento global com cortes drásticos nas emissões de gases do efeito estufa.

A reunião em Katowice reúne 30.000 delegados de 197 países para uma maratona de negociações complexas com uma sensação crescente de urgência, compartilhada por delegações nacionais e grupos ambientalistas, e de ter alcançado um momento crítico.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, que ainda não tinha chegado à sede da COP durante os discursos de abertura, é, ao lado do presidente da Polónia, Andrzej Duda, o líder mais relevante dentre os cerca de 50 que estão hoje em Katowice.

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, cancelou à última hora a sua viagem à cidade polaca por causa dos distúrbios em França.

A secretária-executiva da ONU para a Mudança Climática, Patricia Espinosa, disse hoje sobre a ausência de grandes líderes que, "o importante é o que está por trás, os fatos".

"A Alemanha, por exemplo, comprometeu-se com um valor muito significativo (à luta contra a mudança climática), e isso é muito importante, talvez mais que a presença da chanceler Angela Merkel", explicou Espinosa em declarações à Agência Efe, onde reiterou que o fundamental é "iniciar os compromissos adquiridos".