EFETbilisi/Baku

Os combates no enclave separatista de Nagorno-Karabakh -de maioria arménia dentro do Azerbaijão-, que no domingo causaram dezenas de mortes entre civis e militares, continuaram na madrugada desta segunda-feira, segundo fontes oficiais.

"Durante a noite, a luta continuou com diversas intensidades. Pela manhã, o inimigo retomou a sua ofensiva com o uso de artilharia, veículos blindados e lançador de foguetes TOS", escreveu nas redes sociais esta segunda-feira Sushan Stepanian, porta-voz do Ministério da Defesa da Arménia.

De acordo com a fonte, as forças arménias estão a tomar as medidas necessárias para repelir os ataques. O lado azerbaijano, por sua vez, acusou as forças arménias de bombardearem a cidade de Terter, fronteiriça com a região de Nagorno-Karabakh e localizada 332 quilómetros a oeste de Baku.

Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, a Arménia está a atacar "deliberadamente" a população civil e a infraestrutura civil da cidade.

O comunicado refere-se aos combates em Nagorno-Karabakh, onde, de acordo com o Governo do Azerbaijão, as tropas não lutam contra a população civil, mas "realizam contra-ataques no âmbito do direito humanitário internacional".

As forças de Nagorno-Karabakh confirmaram até agora a morte de pelo menos 31 soldados nos ataques das forças do Azerbaijão e divulgaram os nomes dos soldados mortos.

A Arménia negou as informações do Azerbaijão sobre centenas dos seus soldados mortos em confrontos. Baku, por sua vez, não forneceu até agora informações oficiais sobre o número de baixas militares na região durante a escalada de tensão que começou no domingo.

Simultaneamente, ambos os lados relataram uma série de baixas entre a população civil que vive na linha de separação entre as partes em Nagorno-Karabakh.

A lei marcial foi declarada ontem tanto na Arménia como no Azerbaijão devido à escalada da situação em Nagorno-Karabakh, onde o último grande confronto ocorreu em 2016, apelidada de "guerra de quatro dias".

Na noite de domingo, o governante do território separatista, Araik Arutiunian, acusou a Turquia de fornecer apoio armado e militar ao Azerbaijão e disse que Nagorno-Karabakh agora luta não só contra o Azerbaijão mas também contra a Turquia, de acordo com declarações divulgadas nas redes sociais.

O conflito remonta aos tempos da União Soviética, quando, no final dos anos 80, o território azeri de Nagorno-Karabakh, povoado principalmente por arménios, pediu para ser incorporado à vizinha Arménia, levando a uma guerra que causou cerca de 25.000 mortes.

No final dos combates, as forças arménias assumiram o controle de Karabakh e também ocuparam vastos territórios do Azerbaijão, que chamaram de "faixa de segurança", a fim de uni-los à Arménia.

O Azerbaijão argumenta que a solução do conflito com a Arménia envolve necessariamente a libertação dos territórios ocupados, uma reivindicação que tem sido apoiada por várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

A Arménia, por sua vez, apoia o direito à autodeterminação de Nagorno-Karabakh e defende a participação dos representantes do território separatista nas negociações para a solução do conflito.