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A Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, integrada apenas por chavistas, decidiu esta segunda-feira revogar a imunidade parlamentar de quatro deputados opositores para que eles possam ser julgados por crimes comuns.

A decisão foi tomada após um pedido feito pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), também controlado pelos chavistas.

Os deputados afetados pela decisão são José Guerra, Tomás Guanipa, Juan Pablo García e Rafael Guzmán, todos acusados de terem "incorrido de maneira flagrante" em vários crimes, entre eles traição à pátria e conspiração.

O presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, leu o pedido feito pelo TSJ para revogar a imunidade parlamentar dos quatro deputados, que foram eleitos para a Assembleia Nacional, o parlamento da Venezuela, considerado "sem funções" pela Justiça.

A Assembleia Nacional Constituinte, que não é reconhecida por vários países, revogou a imunidade parlamentar de mais de 20 deputados nos últimos dois anos. Um dos afetados pelas ações do órgão foi o líder da oposição e autoproclamado presidente do país, Juan Guaidó, que prometeu tomar medidas para proteger os colegas do Parlamento da nova investida do chavismo.

A medida foi tomada após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter ameaçado "castigar com severidade" aqueles que apoiarem o bloqueio aos bens do país sob jurisdição dos Estados Unidos decretado pelo governo de Donald Trump.

Nas redes sociais, Guaidó afirmou que a imunidade parlamentar dos quatro deputados opositores não pode ser revogada por "falsas instituições".

"Ninguém reconhece o falso TSJ nem a fraudulenta Constituinte. Só lhes resta a repressão. Obstruem qualquer solução pacífica para defender os seus negócios e interesses pessoais", disse Guaidó.