EFERio de Janeiro

Os ataques e insultos do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, contra a imprensa aumentaram 74% entre janeiro e junho deste ano em comparação com o segundo semestre de 2020, segundo um relatório divulgado esta quarta-feira pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF).

O presidente da maior democracia sul-americana lançou um total de 87 insultos nos primeiros seis meses de 2021, tornando-se no "principal predador" da imprensa brasileira, de acordo com o relatório da organização.

Para a RSF, este é um crescimento "quase vertiginoso" dos ataques do líder de extrema-direita e de um sistema de insultos em que três dos seus filhos, membros dos parlamentos nacionais e regionais, também têm participado ativamente.

Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, foi o autor de 83 ataques à imprensa no primeiro semestre do ano; Eduardo Bolsonaro, deputado federal, foi responsável por 85 insultos contra os meios de comunicação brasileiros, enquanto o senador Flávio Bolsonaro insultou-os 15 vezes.

Ao todo, o "sistema Bolsonaro", como descrito pela RSF, foi responsável por 331 ataques à imprensa no Brasil, um aumento de 5,41% em comparação com o segundo semestre de 2020.

O relatório, intitulado "A imprensa brasileira, um verdadeiro saco de boxe para a família Bolsonaro", destacou entre os expletivos mais "perturbadores" e rudes pelo presidente o feito a 27 de janeiro, quando recomendou aos jornalistas que "enfiassem latas de leite condensado no cu" depois de ter sido questionado acerca de uma compra invulgar por parte do Governo.

Em junho, o presidente também perdeu a compostura durante uma visita a São Paulo, e quando um jornalista da rede Globo o interrogou por não usar máscara, disse-lhe: "Cala-te (…) A Globo é uma merda de imprensa. Imprensa podre".

Os ataques à imprensa também vieram de outros membros do Governo, e entre os ministros mais ofensivos estão Onyx Lorenzoni, do Secretariado Geral da Presidência, e Damares Alves, chefe da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, com 18 e 7 ataques pelas redes sociais, respetivamente, durante o período.

O estudo analisou as contas de Bolsonaro, dos seus filhos e dos membros do seu Governo no Twitter e no Facebook, os principais canais utilizados para ataques a jornalistas e meios de comunicação.

Foram também analisadas as aparições públicas, entrevistas e as transmissões semanais em direto do presidente, onde atirou insultos à imprensa em 19 dos 24 programas transmitidos entre janeiro e junho.

A rede Globo foi a mais atacada, com 76 insultos no total. Segue-se o Grupo Folha (44) e a rede Estadão (11). Outros como o Portal UOL e a CNN Brasil também foram visados por Bolsonaro.

A imprensa brasileira sofreu 580 ataques, 85% provenientes de Bolsonaro e dos seus três filhos, em 2020, ano descrito pela RSF como "desastroso".

O Brasil caiu de 107º para 111º lugar no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, e pela primeira vez na história ficou na zona vermelha, a área mais crítica deste índice elaborado anualmente pela RSF.