EFEBogotá

As autoridades da Colômbia continuam à procura de 168 pessoas que foram dadas como desaparecidas durante as manifestações contra o Governo do presidente Iván Duque, que começaram no último dia 28 de abril e também deixaram pelo menos 27 mortos, segundo informações oficiais.

O total de desaparecidos foi divulgado esta segunda-feira pela Procuradoria-Geral e pelo Provedor da Justiça da Colômbia, que detalharam em comunicado conjunto que foi ativado o "mecanismo de busca urgente" para encontrar as pessoas que constam no relatório.

"Nesse sentido, é importante esclarecer que, se forem recolhidas provas materiais que indiquem a prática do crime de desaparecimento, o Ministério Público iniciará a investigação criminal de acordo com os seus poderes", acrescentou a nota.

Por outra parte, segundo as mesmas autoridades, foram encontradas 227 pessoas que tinham sido dadas como desaparecidas, enquanto 153 pedidos de busca foram devolvidos "aos seus peticionários por falta de informação suficiente e serão declarados infundados".

As mobilizações na Colômbia começaram contra a já retirada proposta de reforma fiscal do Governo de Duque, mas continuam contra uma tentativa de reforma sanitária, a brutalidade policial e a complexa situação de insegurança.

A ONG Temblores e o Instituto de Estudos para a Paz (Indepaz) documentaram até agora 47 mortes, 1.876 casos de uso abusivo da força, 278 feridos e 963 detenções arbitrárias contra manifestantes, assim como casos de violência sexual contra 12 pessoas.

Para procurar os desaparecidos, a Procuradoria-Geral e o Provedor ativaram 35 equipas compostas por um procurador, investigadores, polícias e provedores regionais.

Contudo, ambas as agências esclareceram que até agora "não há queixas formais pelo crime de desaparecimento no contexto dos protestos e manifestações dos últimos dias".

Embora a maioria das pessoas dadas como desaparecidas possa ter sido detida pela polícia durante os protestos, as organizações civis e internacionais pedem às autoridades que acelerem as buscas, dadas as alegações de abusos contra as forças de segurança.