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Pelo menos 150 pessoas, entre elas vários líderes políticos municipais e coordenadores dos movimentos sociais, foram detidas nas últimas horas pelas autoridades tunisinas que repelem os protestos contra as políticas de austeridade do Governo.

Com estas últimas detenções, aproxima-se de 800 o número de pessoas detidas desde que segunda-feira as mobilizações se tornaram virulentas e se estenderam por todo o país em resposta à morte, num incidente com a polícia, de um manifestante na cidade de Tebourba, a cerca de 40 quilómetros ao oeste da capital.

Os distúrbios e confrontos noturnos que ocorrem desde então voltaram a acontecer ontem à noite, embora com menor intensidade devido, sobretudo, ao temporal que desde quinta-feira castiga o país.

A esta situação também contribui a maior presença das forças de Segurança e dos serviços secretos internos nas ruas, que cresce a cada dia de maneira exponencial.

"Os protestos diminuíram e não houve danos, mas mesmo assim a polícia deteve ontem 150 pessoas vinculadas aos distúrbios dos dias passados, e agora os detidos são já 778", explicou hoje o porta-voz do Ministério do Interior, Khelifa Chibani.

Segundo o responsável, que não ofereceu detalhes das detenções, entre os detidos há "16 islamitas extremistas".

Mas a polícia começou também a deter jornalistas, ativistas e políticos -entre eles três membros da Frente Popular, principal partido da oposição progressista- no que parece uma campanha de intimidação que hoje foi denunciada por organizações como a Amnistia Internacional.

"Os atos de vandalismo devem ser repelidos pelas forças de segurança, mas é preciso fazer de forma proporcional ao delito. Os distúrbios nas ruas não dão sinal verde para que a polícia aplique uma força ilegal ou excessiva", disse.

Os protestos sociais ocorrem na Tunísia há mais de um ano, mas ficaram especialmente violentos desde que no início do ano entrou em vigor o novo orçamento do Estado, ajustado à austeridade exigida pelo FMI em troca do crédito de 2.500 milhões de euros concedidos ao Governo.

Para domingo está convocada uma grande manifestação que coincidirá com o sétimo aniversário da "Revolução de Jasmim", que acabou com a longa ditadura policial de Zine El Abidini Ben Ali.

O ex-presidente tunisino fugiu a 14 de janeiro de 2011 para a Arábia Saudita após um mês de manifestações e distúrbios em todo o país, que representaram o início das agora asfixiadas "primaveras árabes".