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Steve Bannon, antigo estrategista chefe de Donald Trump, qualificou de "traição" e "antipatriota" uma reunião entre o filho do presidente dos EUA e um grupo de russos durante a campanha eleitoral de 2016, segundo um livro do autor Michael Wolff ao qual o The Guardian diz hoje ter tido acesso.

Segundo o livro, Bannon referiu-se à reunião mantida em junho de 2016 na Torre Trump (Nova Iorque), entre o filho de Trump, Donald Jr; o seu genro, Jared Kushner; o então presidente da campanha, Paul Manafort, e a advogada russa Natalia Veselnitskaya.

O jornal britânico afirma que Bannon falou com Wolff, ao qual lhe disse que a investigação sobre uma suposta colusão com o Kremlin será centrada na lavagem de dinheiro.

"Vão esmagar o Don Junior como um ovo na televisão nacional", disse Bannon ao escritor, autor do livro "Fire and Fury: Inside the Trump White House", um dos textos mais esperados do ano.

O livro está baseado em mais de 200 entrevistas com o presidente e o seu círculo político.

Bannon, que foi estrategista chefe nos últimos meses da campanha eleitoral de Trump, foi particularmente mordaz sobre a reunião de junho de 2016 na torre Trump, diz o The Guardian.

O jornal acrescenta que um intermediário lhes tinha prometido facilitar documentos que podiam incriminar a rival democrata, Hillary Clinton, mas em vez de alertar o FBI sobre um possível assalto à democracia dos EUA por uma potência estrangeira, Trump Jr respondeu num e-mail "Adoro".

Pouco depois, escreve Wolff, Bannon comentou em tom de gozo: "Os três tipos importantes na campanha pensaram que era uma boa ideia reunir-se com um Governo estrangeiro na Torre Trump na sala de conferências do piso 25, sem advogados. Não tinham nenhum advogado".

"Mesmo se pensas que isto não é traição, ou não patriótico, ou má merda, e acontece que penso que é isso tudo, deverias ter chamado o FBI imediatamente", acrescentou.

Bannon continuou a dizer, segundo escreveu Wolff, que se uma reunião assim se ia realizar, devia ter sido feita num hotel Holiday Inn de Manchester, em New Hampshire, com advogados.

Em maio passado, Robert Mueller foi nomeado procurador especial, após a retirada de James Comey como diretor do FBI, para que examinasse a suposta intromissão russa nas eleições de 2016.

O presidente dos EUA e os seus aliados recusaram qualquer colusão com a Rússia e o Kremlin negou ter intervindo.