EFEBruxelas

A Bélgica excedeu o seu número máximo de pacientes internados por covid-19 durante a pandemia, com um total de 5.924 pessoas atualmente hospitalizadas, segundo o relatório epidemiológico publicado esta quinta-feira pelas autoridades sanitárias belgas.

No momento de maior ocupação hospitalar na passada primavera, a Bélgica atingiu um pico de 5.759 internamentos a 6 de abril.

O aumento das hospitalizações não é uma surpresa, tendo sido advertido pelos especialistas do comité técnico contra o coronavírus, que assinalaram que esta marca ia ser passada.

Com um aumento de 86% nos internamentos semanais por covid, o desafio é saber se o sistema hospitalar será capaz de os absorver até ao início ou meados de novembro, especialmente no que refere aos internamentos nos cuidados intensivos, com 993 camas ocupadas das 2.000 disponíveis, enfrentando agora um crescimento semanal de 89%.

A incidência acumulada registada na Bélgica a 14 dias é de 1.498 casos por 100.000 habitantes, com uma taxa de positividade de 23,6% e picos de 40,4% em Liège e 31,6% em Bruxelas.

O país está sob um recolher obrigatório e com hotéis e atividades desportivas e culturais suspensas, mas não se descarta que esta sexta-feira sejam decretadas restrições adicionais depois de uma reunião de políticos federais e regionais.

O Ministro da Saúde, Frank Vandenbroucke, que ficou com lágrimas nos olhos durante uma visita ao hospital MontLégia, na zona de Liège, advertiu que quatro semanas de "rigor" não serão suficientes e apontou que serão necessárias pelo menos oito semanas para conter a situação.

"Ainda não quero tirar quaisquer conclusões, exceto uma: ainda vamos ter de aguentar por muito tempo. É uma maratona. Vai ser difícil", disse.