EFEWashington

Joe Biden, virtual candidato do Partido Democrata a ocupar a Casa Branca após as próximas eleições, criticou esta terça-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas ameaças de uso de força militar para reprimir os protestos registados em 70 cidades do país.

"Quando se dispersa manifestantes pacíficos por ordem do presidente, nos arredores da casa do povo, a Casa Branca, usando gás lacrimogéneo e granadas, para encenar uma foto numa igreja nobre, podem-nos perdoar por achar que o presidente está mais interessado no poder do que nos princípios", afirmou Biden, vice-presidente nos dois mandatos de Barack Obama.

Biden, que discursou frente à autarquia de Filadélfia, no estado da Pensilvânia, atacou Trump ao dizer que o chefe de governo está mais interessado em satisfazer "as paixões dos seus eleitores" do que em atender as necessidades da população que governa.

Ontem, pouco antes do anoitecer (na hora local), as forças de segurança dispersaram com força excessiva centenas de pessoas que protestavam de maneira pacífica na Praça Lafayette, frente à Casa Branca, no marco de uma semana da morte de George Floyd, homem negro que estava sob custódia policial em Minneapolis.

A revolta foi gerada após a divulgação de imagens em que Floyd é abordado, imobilizado e implora para que o agente Derek Chauvin tire o joelho do seu pescoço, já que não consegue respirar. Ontem, em 26 estados, houve a atuação da Guarda Nacional para reprimir os protestos, e 50 cidades tiveram recolhimento obrigatório decretado.

Ontem, Trump, cercado por alguns dos seus conselheiros, saiu da residência presidencial e atravessou a Praça Lafayette até à Igreja Episcopal de Saint John's, onde todos os presidentes dos EUA desde o século XIX têm orado. No local, Trump garantiu que usaria força militar para parar os protestos.