EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu esta quinta-feira num discurso à nação que as armas de assalto e os carregadores de alta capacidade sejam proibidos, enquanto o país ainda chora pelo massacre ocorrido a 24 de maio numa escola de Uvalde (Texas), no qual 19 crianças e duas professoras foram assassinadas.

"Precisamos de banir as armas de assalto e carregadores de alta capacidade. E se não podemos banir as armas de assalto, devemos aumentar a idade para comprá-las de 18 para 21 anos", disse Biden no seu discurso.

Numa intervenção de quase 20 minutos em que repetiu a palavra "basta" várias vezes, Biden lançou uma série de apelos para que os legisladores tomem medidas concretas para controlar as armas no país após os recentes tiroteios em Uvalde, Buffalo (Nova Iorque) e Tulsa (Oklahoma).

Especificamente, Biden solicitou que a verificação de antecedentes de potenciais compradores seja reforçada, que a lei seja aplicada para garantir o armazenamento seguro de armas e que a imunidade que protege os fabricantes de armas seja revogada.

"Quantas outras carnificinas estamos dispostos a aceitar? Quantas vidas americanas inocentes devem ser tiradas antes que digamos basta?", questionou Biden num discurso muitas vezes carregado de emoção.

Segundo Biden, os sobreviventes dos massacres têm um recado para os políticos: "Façam alguma coisa, apenas façam alguma coisa, por amor de Deus, façam alguma coisa, porque depois de Columbine, depois de Sandy Hook, depois de Charleston, depois de Orlando, depois de Las Vegas (.. .) nada foi feito", declarou Biden, referindo-se aos principais massacres que atingiram o país nos últimos anos.

De pé no final de um tapete vermelho e um corredor composto por 56 velas acesas para representar as vítimas de tiroteio nos estados e territórios americanos, Biden reiterou que a segunda emenda da Constituição dos EUA, sobre o direito de possuir armas, "como todos os outros direitos, não é absoluto".

"Não se trata de tirar os direitos de ninguém. Trata-se de proteger as crianças, proteger as famílias. Trata-se de proteger comunidades inteiras. Trata-se de proteger a nossa liberdade de ir à escola, ir a um supermercado, a uma igreja", destacou Biden.

O seu discurso coincide com as conversas nas quais um grupo de nove senadores republicanos e democratas participam desde a semana passada para tentar chegar a um acordo sobre medidas de controlo de armas de fogo que possam receber o apoio de congressistas de ambos os partidos.

As medidas seriam muito mais modestas do que a proibição de armas de assalto defendida pela maioria dos democratas, incluindo Biden, e concentrar-se-iam em reforçar a segurança escolar e financiar programas de saúde mental, ambas reivindicações dos republicanos.

Além disso, buscariam expandir as verificações de antecedentes para comprar armas de fogo e dar incentivos aos estados para aprovar leis que permitam às autoridades apreender armas de indivíduos considerados perigosos.

Precisamente nesta quinta-feira, a Comissão Judiciária da Câmara dos Representantes dos EUA debateu uma série de medidas de controlo de armas, reunidas sob o título de Lei para a Proteção das Nossas Crianças.

As medidas procuram introduzir uma limitação de 10 tiros por carregador, aumentar a idade mínima para comprar uma espingarda semiautomática de 18 para 21 anos e dar incentivos aos estados para aprovar leis de confisco de armas.

A proposta também visa limitar o uso de "armas fantasmas", que podem ser compradas em partes pela internet e depois montadas em casa, tornando-as indetetáveis, pois não têm número de série.

O debate sobre a medida fez com que a maioria dos republicanos da Câmara condenasse qualquer tentativa de limitar a capacidade dos americanos de comprar armas, muitas vezes repetindo a típica mensagem conservadora de que "a única coisa que impede um tipo mau com uma arma é um tipo bom com uma arma".

A expectativa é que o plenário da Câmara dos Representantes, onde os democratas detêm a maioria, debata esse pacote de medidas na próxima semana.