EFENova Iorque

A campanha do ex-autarca de Nova Iorque Michael Bloomberg intensificou esta segunda-feira os ataques a Bernie Sanders após a vitória do senador no caucus do Nevada, um primeiro passo de uma nova estratégia para tentar impedir o avanço do representante de Vermont.

"É muito importante para nós começarmos agora a articular o que pensamos sobre Bernie Sanders e as suas políticas e porque achamos que ele não seria o melhor representante do partido", disse um funcionário da campanha de Bloomberg, que pediu para não ser identificado, num encontro com a imprensa em Nova Iorque.

Apenas uma hora depois, a campanha do empresário bilionário divulgou uma declaração em que acusava Sanders de ter votado contra as medidas de regulamentação de armas de fogo e de estar do lado da Associação Nacional de Espingardas (NRA).

O gestor de campanha de Bloomberg, Kevin Sheekey, observou na declaração que a associação endossou a candidatura de Sanders ao Congresso em 1990 e listou toda uma relação de propostas legislativas para um maior controlo de armas que ele votou contra ao longo dos anos.

Além disso, Bloomberg -que já gastou centenas de milhões de dólares em publicidade- fez circular um novo anúncio nas redes sociais com o objetivo específico de atacar Sanders por ter votado contra propostas legislativas para um maior controlo de armas.

Nele, o ex-autarca de Nova Iorque defende que a NRA facilitou a chegada de Sanders a Washington e que ele passou três décadas a retribuir esse favor.

A campanha de Bloomberg anunciou que a partir de terça-feira um autocarro vai viajar pela Califórnia para destacar aos eleitores as diferenças entre os dois candidatos.

Sanders, que representa um estado com uma forte tradição de caça no Senado, já foi atacado nessa questão na campanha de 2016 pela então rival Hillary Clinton.

Nos últimos anos, o político tem insistido que está empenhado numa regulamentação muito mais rigorosa nessa área, com medidas semelhantes às propostas por outros democratas, como a proibição das espingardas de assalto.

Como parte da sua nova campanha de ataques contra Sanders, Bloomberg também recuperou esta segunda vários vídeos do representante de Vermont em que reconhece alguns avanços sociais promovidos em Cuba pelo regime de Fidel Castro.

"Fidel Castro deixou um legado sombrio de campos de trabalho, repressão religiosa, pobreza generalizada, pelotões de fuzilamento e o assassinato de milhares dos seus compatriotas. Mas é claro, Bernie, vamos falar sobre o seu programa de alfabetização", escreveu o bilionário no Twitter.

Ao mesmo tempo, a campanha do ex-autarca de Nova Iorque denunciou graffitis feitos num dos seus escritórios em Chicago, que incluía a palavra "oligarca".

"Embora não saibamos quem é diretamente responsável, sabemos que o senador Bernie Sanders e a sua campanha têm invocado repetidamente essa linguagem e especificamente a palavra oligarca ao falar sobre Mike Bloomberg e a sua campanha", lembrou Sheekey.

Com a vitória no Nevada, Sanders tornou-se no primeiro classificado nas primárias democratas, enquanto Bloomberg parece ter perdido algum impulso após o debate da semana passada, no qual foi duramente atacado por outros candidatos.