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O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, baixou esta quinta-feira o tom frente ao Parlamento, governadores e autarcas, com os quais tem estado em confronto sobre o combate à COVID-19, e contemplou um diálogo amplo para "vencer esta crise".

Bolsonaro conduziu desde Brasília uma reunião por videoconferência na qual participaram membros do seu gabinete, governadores, presidentes de câmara e representantes das câmaras legislativas. Nas suas primeiras palavras, o presidente brasileiro mostrou-se sereno mas preocupado com o avanço da pandemia no país, que hoje é um dos mais afetados do mundo.

"Temos de dar continuidade ao esforço de todos na busca de mitigar os problemas e chegar aos que são afetados por esta crise, cujo tamanho ainda não conhecemos", disse Bolsonaro acerca da crise do coronavírus, que até agora já deixou quase 19.000 mortos e cerca de 292.000 casos em solo brasileiro.

"Sabemos como isto prejudica o Brasil e todo o mundo", disse o líder de extrema-direita, que apesar do seu tom mais suave se centrou muito mais nos efeitos económicos e no impacto no emprego de um vírus ao qual anteriormente se referiu como "gripezinha".

"Temos de trabalhar em conjunto", pediu Bolsonaro, sem fazer alusão às suas profundas críticas aos governadores e autarcas que impuseram medidas severas para restringir ao mínimo a circulação de pessoas e conter a propagação da COVID-19, apesar da pressão do Governo para uma reabertura económica.

Um dos pontos centrais da reunião convocada pelo próprio Bolsonaro é um programa de ajudas financeiras aos estados e municípios, já aprovado pelas câmaras legislativas mas ainda não sancionado pelo presidente.

O projeto prevê que o Governo federal distribua entre os estados e municípios um total de 120.000 milhões de reais (cerca de 19.000 milhões de euros) para o combate ao coronavírus.

No entanto, para o sancionar, Bolsonaro pretende introduzir uma cláusula que congele os salários de todos os funcionários públicos federais, regionais e municipais até 31 de dezembro de 2021.

Segundo disse Bolsonaro, esta é uma "quota de sacrifício" que é pedida ao setor público num cenário de crise profunda, na qual os trabalhadores informais e privados foram até agora os mais afetados.