EFERio de Janeiro

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de extrema-direita, esclareceu hoje que não vai negar ajuda aos imigrantes que a peçam, ressaltanto no entanto que esta não poderá ser "indiscriminada", após confirmar que o gigante sul-americano se retirou do Pacto Migratório da ONU.

O líder brasileiro fez o esclarecimento esta quarta-feira através da sua conta no Twitter, após ter enfatizado horas antes nessa mesma rede social que o Brasil era "soberano" para decidir a aceitação de imigrantes.

"Nunca rejeitaremos ajuda aos que a necessitam, mas a imigração não pode ser indiscriminada", afirmou Bolsonaro, que disse que é preciso encontrar "a melhor solução de acordo com a realidade de cada país".

"Se controlamos quem deixamos entrar nas nossas casas, por que faríamos diferente com o nosso Brasil?", perguntou o presidente do maior país latino-americano, que nos últimos anos acolheu milhares de refugiados, principalmente venezuelano, haitianos e sírios.

Na sua primeira mensagem do dia pelo Twitter, o político de extrema-direita ressaltou que as pessoas que entrarem no país terão que se submeter às leis brasileiras e respeitar a sua cultura, e disse que "não é qualquer um que entra na nossa casa, nem será qualquer um que vai entrar no Brasil via pacto adotado por terceiros".

O novo presidente do Brasil fechou essa mensagem com um "Não ao Pacto Migratório", com o qual ratificou algo que já tinha anunciado anteriormente.

O Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular da ONU foi assinado em dezembro por 152 países, entre eles o Brasil, durante a gestão do agora ex-presidente Michel Temer.

Dois dos países que rejeitaram aderir ao pacto foram os Estados Unidos e Israel, com os quais o Governo de Bolsonaro procura estreitar laços.

Bolsonaro, um capitão da reserva do Ejécito, expressou a sua vontade de sair do Pacto Migratório na mesma semana na qual foi assinado o acordo em Marraquexe, mas a retirada fez-se efetiva esta terça-feira após notificação do Ministério dos Negócios Estrangeiros às Nações Unidas.

O novo presidente já tinha manifestado a sua intenção de estabelecer critérios para limitar a entrada no país de venezuelanos que procuram refúgio em solo brasileiro após fugir da crise política, económica e social na Venezuela.

"A defesa da soberania nacional foi uma das bandeiras da nossa campanha e será uma prioridade do nosso Governo. Os brasileiros e os imigrantes que aqui vivem estarão mais seguros com as regras que definiremos por conta própria, sem pressão do exterior", afirmou o presidente em outra mensagem escrita esta quarta-feira.

As autoridades brasileiras estimam que entre 700 e 800 venezuelanos entram diariamente no país por Pacaraima, principal porta de entrada da Venezuela ao Brasil.

De acordo com os dados oficiais, desde 2017 e até setembro passado entraram no Brasil 154.920 venezuelanos por Pacaraima, no estado amazónico de Roraima e única passagem fronteiriça entre ambos países, mas perto de mais de metade (79.402) já abandonou o território nacional.

A falta de estrutura de Roraima, um dos estados mais pobres do país, gerou conflitos entre brasileiros e venezuelanos na fronteira e obrigou o Governo a iniciar um processo, que avança lentamente, para transferir os imigrantes a outras cidades.