EFESófia

O primeiro-ministro cessante da Bulgária, o populista Boiko Borisov, afirmou que existe uma "terrível guerra comercial" que fará subir o preço que a UE paga pelas doses da vacina da Pfizer contra a covid-19 de 12 para 19,5 euros, mais 62%, ao longo dos próximos dois anos.

"Preocupa-me que a vacina da Johnson&Johnson ainda nem sequer esteja no mercado e algumas pessoas já começaram a falar coisas desagradáveis sobre ela. Ou seja, há uma terrível guerra comercial que está a inflar preços com uma força terrível", disse Borisov num vídeo publicado na sua conta na rede social Facebook.

O ainda chefe do Executivo colocou assim em 12 euros o preço inicial das doses de Pfizer negociadas pela União Europeia (UE), e disse que este custo já subiu para 15 e que nos próximos anos irá subir ainda mais.

"A Pfizer custava 12 euros, depois 15,5. e os contratos que estão a ser assinados agora para 2022 e 2023 para 900 milhões de vacinas já têm um preço de 19,5 euros por dose", disse Borisov.

A Comissão Europeia não revelou os preços acordados com os vários laboratórios, mas a ministra do Orçamento belga, Eva De Bleeker, disse em dezembro que os preços seriam de 1,78 euros por cada dose da AstraZeneca-Oxford; 6,9 pelas da Johnson & Johnson; 7,56 para a Sanofi-GSK; 10 euros por dose para a CureVac; 12 para a BioNTech-Pfizer e 14,6 para a Moderna.

Borisov, que venceu as eleições no dia 4 mas com uma tarefa muito complicada para formar Governo, disse que a UE terá de destinar quase 18.000 milhões de euros só para a aquisição de doses de Pfizer nos próximos anos, pelo que recomendou a todos os Estados-membros que planifiquem verbas para isso nos seus orçamentos.

A Bulgária, que encomendou principalmente vacinas da AstraZeneca, é um dos países mais afetados por atrasos na distribuição, e continua a ter a taxa de vacinação mais lenta da União Europeia.