EFEWashington

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, de maioria democrata, aprovou esta quarta-feira uma iniciativa para fortalecer o controlo de armas de fogo após os tiroteios em Uvalde (Texas) e Buffalo (Nova Iorque), embora seja muito possível que não passe no Senado.

O projeto contém as medidas de controlo de armas mais duras que a Câmara dos Representantes aprovou em décadas.

A iniciativa, batizada de "Protejamos Nossas Crianças", propõe aumentar a idade em que espingardas semiautomáticas podem ser compradas de 18 para 21 anos e proíbe os cartuchos de balas de alta capacidade, que foram usados em Uvalde e Buffalo por jovens de 18 anos.

Além disso, propõe medidas para regular as armas de fabrico caseiro, conhecidas como "armas fantasmas", por não possuírem números de série e serem responsáveis por um número crescente de tiroteios.

Essa primeira iniciativa foi aprovada com 223 votos a favor e 204 contra. Cinco republicanos romperam com o seu partido e apoiaram a medida, enquanto dois democratas votaram "não".

O debate na Câmara baixa foi marcado por discursos apaixonados de deputados democratas, como Sheila Jackson Lee, que considerou este "momento histórico" para acabar com o "horrível" problema da violência armada.

Alguns usaram gravata laranja, cor que se tornou um símbolo contra a violência armada por ser a que os caçadores usam para evitar serem baleados.

Esta votação acontece depois de uma comissão da Câmara dos Representantes ter ouvido nesta quarta-feira o depoimento das vítimas do tiroteio na escola de Uvalde, no qual morreram 19 alunos e duas professoras, assim como das vítimas do atentado num supermercado de Buffalo, que terminou com dez afro-americanos mortos e está a ser investigado como um crime racista.

Entre as testemunhas na audiência estava Miah Cerrillo, uma criança de 11 anos que sobreviveu ao tiroteio em Uvalde, Texas, e que descreveu aos políticos o pesadelo daquele dia, quando teve que se cobrir com o sangue de um amigo para se fingir de morta e salvar a sua vida.

"Não quero que aconteça de novo", disse a menor num vídeo, no qual exigiu "segurança" do Congresso.