EFEWashington

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos autorizou esta terça-feira uma resolução contra os tweets polémicos do presidente Donald Trump, nos quais pediu que quatro congressistas democratas de origem latina, muçulmana e negra, e que são cidadãs americanas, "voltassem para os seus países".

"Isto é uma afronta não só contra as quatro congressistas mas contra os 22 milhões de americanos naturalizados que nasceram noutro país e fizeram o seu caminho para os Estados Unidos", ressaltou o legislador democrata Jamie Raskin, um dos que promoveram a resolução, no plenário da Câmara antes da votação.

A votação, aprovada por 240 votos contra 187, e na qual todos os democratas votaram a favor, aconteceu dois dias depois do tweet inicial de Trump que gerou polémica ao nível nacional.

Quatro republicanos -Will Hurd, Fred Upton, Brian Fitzpatrick e Susan Brooks- também votaram a favor da resolução, que, além disso, recebeu apoio do independente, mas conservador, Justin Amash.

O texto respondia ao tweet no qual Trump perguntou no domingo "porque é que essas legisladoras não voltam para os seus países e ajudam a melhorar os lugares completamente falidos e infestados de crime de onde vêm".

Trump referia-se a um grupo de legisladoras da Câmara dos Representantes, conhecido popularmente como "A Brigada" ("The Squad", em inglês), formado por Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar, Rashida Tlaib e Ayanna Pressley.

Todas elas são cidadãs americanas e três delas nasceram nos Estados Unidos, enquanto Omar é de Mogadíscio, na Somália, mas obteve a cidadania americana quando era adolescente, depois de chegar ao país como refugiada.

A declaração aprovada hoje condena os "comentários racistas" de Trump e considera que os mesmos "legitimaram o medo e o ódio direcionados aos novos americanos e às pessoas de cor", segundo o texto.

Além disso, a resolução afirma que "os imigrantes e os seus descendentes fortaleceram os Estados Unidos e que aqueles que prestam o juramento de cidadania são tão americanos como aqueles cujas famílias viveram nos Estados Unidos durante muitas gerações".

Por isso, a Câmara, que é controlada pelos democratas, comprometeu-se a manter os Estados Unidos "abertos aqueles que buscam legalmente refúgio e asilo da violência e da opressão, e aqueles que estão dispostos a trabalhar arduamente para viverem o sonho americano, independente de raça, etnia, fé ou país de origem".

A votação esteve precedida por um tenso debate sobre a frase "o tweet racista do presidente" pronunciada pela presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, durante um discurso no plenário.

Os republicanos protestaram porque as regras da Câmara impedem que um presidente seja qualificado de "racista" e conseguiram fazer com que as palavras de Pelosi fossem retiradas do registo da sessão, mas os democratas impuseram-se numa segunda votação sobre o tema e permitiram que a líder democrata usasse esse adjetivo.

No meio da forte controvérsia gerada pelas novas acusações de racismo e supremacismo branco contra Trump, o presidente redobrou as suas críticas às legisladoras, que chegaram ao Congresso este ano e se tornaram em vozes muito influentes no movimento progressista do país.