EFESão Paulo

O Grupo Carrefour Brasil vai criar um fundo com 25 milhões de reais (4,6 milhões de dólares) para promover a inclusão racial e o combate ao racismo, depois do brutal assassinato de um homem negro por parte de dois seguranças num dos seus estabelecimentos, conformou a companhia esta terça-feira.

Num comunicado enviado à Bolsa de Valores de São Paulo, a rede de supermercados francesa afirmou que as receitas obtidas nos estabelecimentos do país na sexta-feira passada, quando o Brasil celebrou o seu Dia de Consciencialização Negra, serão destinadas a projetos de combate ao racismo.

"Essa soma obviamente não reduz a perda irreparável de uma vida, mas é um esforço para ajudar a evitar que isso se repita", disse a empresa.

O anúncio chega dias após a morte de João Alberto Silveira Freitas, um negro de 40 anos de idade que foi morto na quinta-feira passada por dois seguranças numa loja Carrefour na cidade de Porto Alegre (sul), o que gerou uma onda de protestos antirracistas em grande parte do Brasil.

A empresa "lamentou profundamente o que aconteceu" e informou que rescindiu o contrato com a empresa de segurança responsável pelos guardas que cometeram as agressões, e está a tomar "todas as medidas possíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso".

Além disso, todos os empregados e colaboradores que trabalham nos mercados da empresa receberam formação durante o fim de semana para promover a "cultura do respeito".

"O Grupo Carrefour Brasil reforça que está a trabalhar diariamente na cultura de respeito e valorização de todas as pessoas", apontou.

A morte brutal de Silveira Freitas comoveu o Brasil e desencadeou uma onda de manifestações antirracistas em várias cidades, para além de apelos a um boicote à cadeia de supermercados.

Na Bolsa de Valores de São Paulo, as ações do Carrefour Brasil lideraram as perdas da sessão de segunda-feira ao desabarem 5,35%. Em valor de mercado, a empresa perdeu mais de 2.000 milhões de reais no dia.

Apesar dos negros representarem 56% da população do país, os casos de racismo no Brasil são recorrentes e graves.

75% das vítimas de homicídio no Brasil em 2018 foram negras, como revelado este ano pelo Atlas da Violência elaborado pelo Fórum de Segurança Pública com base em dados oficiais.

Os negros são também 75% dos mais pobres e apenas 5% ocupam cargos executivos no país.