EFEWashington

O presidente cessante dos EUA, Donald Trump, concedeu esta quarta-feira um indulto, horas antes de abandonar o poder, ao seu importante estratega, Steve Bannon, de extrema-direita, indiciado por defraudar os doadores na construção do controverso muro fronteiriço com o México, confirmou a Casa Branca em comunicado.

Trump concedeu um total de 73 indultos e comutou as respetivas sentenças de mais 70 pessoas, uma medida que está de acordo com uma longa tradição presidencial de promoção de perdões no final de mandato.

Para além de Bannon, os indultos afetam dois conhecidos rappers americanos, políticos e homens de negócios que chegaram a fazer parte da comitiva de Trump.

A medida surge após dias de deliberações no círculo do presidente cessante sobre a oportunidade de perdoar um dos arquitetos da campanha presidencial de 2016 e dos seus inícios no Governo.

Apesar do seu importante papel na altura, a relação entre Trump e Bannon rompeu-se alguns meses após a sua chegada à Casa Branca, quando o estratega criticou os filhos do presidente e foi despedido.

Trump chegou ao ponto de dizer que Bannon, que tinha anteriormente dirigido o meio de extrema-direita e de teorias de conspiração Breitbart News, tinha "perdido a cabeça" e que "quando foi despedido, chorou e implorou pelo seu emprego".

Entre os indultados encontra-se Elliott Broidy, um antigo angariador de fundos da campanha de Trump que se declarou culpado de uma acusação de conspiração.

Os rappers Lil Wayne, condenado por porte de armas em Miami, e Kodak Black, por algo semelhante, também foram indultados.

Trump também concedeu clemência a Paul Erickson, o agente político conservador e antigo parceiro da alegada espiã russa Maria Butina, que se declarou culpado de acusações de fraude e branqueamento de capitais.

A lista inclui ainda Anthony Levandowski, um antigo engenheiro da Google que admitiu ter roubado tecnologia secreta relacionada com os automóveis autónomos da empresa; Robin Hayes, um doador político da Carolina do Norte condenado por uma tentativa de suborno de funcionários; o antigo presidente da câmara de Detroit; Kwame Kilpatrick, acusado de acusações federais incluindo crime organizado, extorsão e apresentação de declarações fiscais falsas; William Walters, um jogador profissional de futebol condenado por abuso de informação privilegiada; e Aviem Sella, um oficial da força aérea israelita que os Estados Unidos acusaram de ser um espião.

Embora nem Trump nem membros da sua família tenham sido incluídos nesta lista, o presidente cessante ainda tem algumas horas para emitir mais indultos antes de deixar o cargo.