EFEViena

A Procuradoria austríaca contra crimes económicos e corrupção (WKStA) abriu uma investigação contra o chanceler federal, o conservador Sebastian Kurz, por alegado falso testemunho perante uma comissão parlamentar, como confirmou quarta-feira o próprio chefe do Governo.

Numa breve conferência de imprensa, Kurz reconheceu a abertura de uma investigação preliminar contra si e o seu chefe de gabinete, Bernhard Bonelli.

O WkStA acusa-os de terem feito falsas declarações à comissão parlamentar que investiga o chamado "caso Ibiza", um escândalo de corrupção que veio à luz no final de maio de 2019 com a publicação de um vídeo filmado com câmaras ocultas nessa ilha espanhola no verão de 2017.

"Esforcei-me sempre, e durante horas, para responder o melhor possível a todas as perguntas, dentro do que me foi possível lembrar, e de acordo com a verdade, apesar de serem questões de anos atrás e que não têm a ver com os temas principais da minha atividade como chefe de Governo", disse Kurz.

Depois de excluir que o caso pudesse levar à sua demissão, o chanceler comentou que se trata de um processo lançado por um único juiz, perante o qual terá "muito gosto" de responder a um interrogatório.

O líder do Partido Popular Austríaco (ÖVP) reconheceu que o WKStA poderá apresentar uma denúncia penal a qualquer momento, e disse inclusivamente que assumia que isso irá acontecer, embora tenha previsto que "não terá quaisquer consequências".

Segundo a imprensa austríaca, a Procuradoria assume, entre outros, que quando a comissão parlamentar pediu acesso aos e-mails do chanceler, este escondeu a existência de um dos três endereços de e-mail que utilizava.

O ÖVP apelou recentemente à abolição da obrigação de dizer a verdade numa comissão parlamentar, a fim de impedir que os interrogados invoquem o seu direito de não testemunhar.

O "caso Ibiza" desencadeou em 2019 a caída da coligação entre o partido de Kurz e o nacionalista FPÖ e a convocatória de novas eleições, nas quais o atual Governo foi formado entre os conservadores e os Verdes.

As filmagens de 2018 mostram o antigo líder da FPÖ, Heinz-Christian Strache, a propor a uma suposta oligarca russa a venda das suas ações em empresas estatais em troca de favores políticos.