EFERoma

O chefe da Cosa Nostra (máfia siciliana), que controlava o bairro Pagliarelli de Palermo, Giuseppe Calvaruso, de 44 anos, que se tinha mudado para o Brasil há vários anos, foi detido este domingo na capital da Sicília (Itália), a onde tinha regressado para passar a Páscoa com a sua família, informaram hoje os Carabinieri.

Os carabinieri do comando provincial de Palermo detiveram-no enquanto estava com a sua família antes do tradicional almoço de Domingo de Páscoa, operação que resultou também na detenção de outros quatro membros do clã Calvaruso: Giovanni Caruso, Silvestre Maniscalco, Francesco Paolo Bagnasco e Giovanni Spanò.

Todos eles são acusados de associação mafiosa, extorsão, danos pessoais, rapto, registo fictício de bens, e todos os delitos agravados por métodos e modalidades mafiosas.

O clã controlava este bairro de Palermo sob as ordens de Calvaruso, apesar de estar no Brasil. Comerciantes e empresários costumavam recorrer a esta família da Cosa Nostra para obter autorizações para a abertura de atividades comerciais ou para resolver disputas.

As investigações descrevem que os comerciantes da área se dirigiam ao clã e não à polícia para resolver, por exemplo, os roubos das suas instalações ou dos seus veículos.

Num dos episódios relatados pelos carabinieri é explicado que o proprietário de uma loja que foi assaltado duas vezes em cinco dias preferiu recorrer à Cosa Nostra em vez da polícia para obter justiça. Este ligou à família de Caruso e deu-lhes os vídeos dos roubos, que depois de localizarem o ladrão espancaram-no na presença de Calvaruso.

O clã forçou também a reestruturação das propriedades e os proprietários foram obrigados a contactar as empresas de construção pertencentes a Calvaruso.

Calvaruso tinha acumulado um enorme capital que terá reinvestido no setor da construção e restauração, e para evitar a apreensão de bens criou uma densa rede de testas de ferro, explicam os investigadores.