EFEPequim

A chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam, condenou esta segunda-feira os registos de violência extrema que marcaram a greve geral convocada no território autónomo, garantindo que não será a solução para a crise política local.

A líder concedeu uma conferência de imprensa depois de terem sido noticiados dois graves casos, o de um polícia que disparou para o peito de um ativista, e de um homem que foi incendiado por manifestantes. Ambos estão em estado considerado grave.

"A violência não resolve problemas e só leva a mais violência. Se alguém acha que a partir de uma violência intensificada vai pressionar o governo para satisfazer as reinvindicações políticas, digo agora de maneira clara que não vai acontecer", afirmou Lam.

"As pessoas não podem ir trabalhar, estudar, nem sequer caminhar pelas ruas. Não podemos parar de procurar maneiras de acabar com a violência. É agora a nossa prioridade. Peço a todos que mantenham a calma", completou a chefe do governo.

Pouco antes das 8h (hora local), foi publicado um vídeo onde um polícia de trânsito é visto a disparar três vezes contra dois homens vestidos de preto -cor que identifica os protestos- na área residencial de Sai Wan Ho, onde um grupo de manifestantes bloqueou o trânsito.

As autoridades de saúde de Hong Kong confirmaram à Efe que o jovem, de 21 anos, permanece em estado grave, depois de ter sido atingido com um tiro no peito. O manifestante foi submetido a cirurgia, já que teve lesões no fígado e no rim direito.

Além disso, um homem ficou em estado grave após ter sido incendiado durante uma discussão com manifestantes opositores ao governo local e ao da China.

Num vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver a vítima a discutir com várias pessoas numa passagem de peões, reclamando da interrupção dos serviços de transporte público, antes de gritar que todos ali são cidadãos chineses.

Um manifestante aproxima-se, atira um líquido inflamável e depois ateia o homem em fogo, que consegue apagar as chamas e sair a pé do local, tendo sido logo levado ao hospital.

De acordo com o jornal "South China Morning Post", a vítima teve 28% do corpo queimado e sofre queimaduras de segundo grau, especialmente no peito e nos braços.

A greve geral de hoje foi convocada na internet após a morte, na última sexta-feira, de um estudante universitário de 22 anos, que caiu deste um parque de estacionamento, sofrendo graves lesões cerebrais em circunstâncias desconhecidas durante um protesto no último dia 3.