EFEHaia

O procurador do Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais (MTPI), Serge Brammertz, confirmou esta sexta-feira que os restos mortais encontrados num túmulo na República Democrática do Congo pertencem ao ex-ministro da Defesa do Ruanda Agustin Bizimana, acusado de genocídio.

Bizimana foi supostamente o responsável dos assassinatos do ex-primeiro-ministro Agathe Uwilingiyimana, de dez capacetes azuis belgas e de civis tutsis nas províncias de Gisenyi, Ruhengeri, Butare, Kibuye e Cyangugu.

As amostras de ADN foram recolhidas no final do ano passado num túmulo de Pointe Noire, ao sudeste da República do Congo.

A Procuradoria do MTPI fez análises comparativas para descartas que os restos mortais fossem de outra pessoa e chegou à conclusão de que Bizimana morreu em agosto de 2000 em Pointe Noire, disse Brammertz em comunicado.

O procurador expressou o seu "especial agradecimento" Instituto Forense dos Países Baixos e ao Laboratório de Identificação de ADN das Forças Armadas dos Estados Unidos "pelo seu importante apoio técnico e assistência".

Bizimana foi ministro da Defesa de julho de 1993 a julho de 1994 e, de acordo com a acusação, instou os membros das Forças Armadas ruandesas e das milícias hútus, como a Interahamwe e a Impumuzamugambi, a cometerem crimes.

O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (TPIR), criado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, acusou-o em 1998 de 13 acusações de genocídio, cumplicidade no genocídio, extermínio, homicídio, violação, tortura, outros atos desumanos, perseguição e tratamento cruel. Todos os crimes foram alegadamente cometidos entre 6 de abril e 17 de julho de 1994.

A confirmação da morte de Bizimana chega uma semana depois da detenção em França do empresário Félicien Kabuga, que será julgado pelo seu papel no financiamento do genocídio.

O principal fugitivo do TPIR é agora Protais Mpiranya, antigo comandante da Guarda Presidencial das Forças Armadas do Ruanda.