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Os conservadores espanhóis do Partido Popular (PP) distanciaram-se esta quinta-feira do partido de extrema-direita Vox e rejeitaram a moção de censura contra o presidente do Governo, o socialista Pedro Sánchez, que se debate no Congresso dos Deputados.

O líder da oposição, o conservador Pablo Casado, pôs fim às incógnitas e anunciou que o PP vai votar "não" à moção apresentada pelo Vox, que não tem o apoio de deputados suficientes para que seja bem sucedida.

O líder do Vox e candidato a presidente do Gobierno, Santiago Abascal, precisa de maioria absoluta do Congresso, ou seja, pelo menos 176 dos 350 deputados, mas o seu partido tem apenas 52 e as restantes forças parlamentares vão votar contra.

As últimas semanas foram marcadas por conjeturas sobre se o PP se iria abster ou votar contra, tendo em conta a dura a oposição que os conservadores fazem a Sánchez e porque estes e liberais governam em coligação as regiões de Madrid, Andaluzia (sul) e Múrcia (sudeste) com o apoio parlamentar do Vox.

No Congresso, Casado acusou duramente Abascal de "mais uma mentira" para que Sánchez continue como chefe do Executivo espanhol e procurar ultrapassar o PP, pois ambos partidos competem em parte pelo mesmo eleitorado.

Setores políticos e mediáticos de Espanha interpretam a moção de censura como uma tentativa do Vox de prejudicar o PP (89 deputados) para conseguir a hegemonia ideológica e política na direita.

Casado disse que o seu partido não será refém do Vox e defendeu uma alternativa "serena, sensata, moderada, responsável e pró-europeia" ao atual Governo, formado por uma coligação entre socialistas e o partido de esquerda Unidas Podemos.

"Não somos como vocês, somos a força tranquila dos espanhóis", disse Casado a Abascal.

Este, por sua vez, assegurou que a decisão do PP de votar "não" representa "um pontapé na esperança" de que ambos partidos possam chegar a acordos e uma "equidistância impossível e falsa" que é gerada pela "falta de esperança de milhões de espanhóis".