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O primeiro-ministro de Itália, Giuseppe Conte, apresentou hoje no Parlamento o programa do novo Governo de coligação entre o Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrático, que classificou como "um pacto político e social" que representa "o início de uma nova etapa reformadora".

"Este projeto político marca o início de uma nova, e confiamos que resolutiva, etapa reformadora", disse Conte no seu discurso, com o qual deu início à sessão em que irá pedir a confiança parlamentar.

"O programa que vou ilustrar não é uma mera lista de propostas heterogéneas, nem um resumo dos programas das diversas forças políticas da maioria. Pelo contrário, é uma síntese programática, um projeto do país a favor dos cidadãos", afirmou.

Conte ressaltou que o programa pactuado entre os partidos do executivo tem o objetivo de "ser sustentável numa dimensão intergeracional", e constitui uma agenda reformadora a longo prazo.

O primeiro-ministro quis marcar distância com o anterior executivo do M5E e da Liga de Matteo Salvini, tanto nos objetivos como na forma.

"Todos os ministros e eu assumimos o compromisso firme, aqui à vossa frente, de cuidar das palavras, de adotar o léxico mais adequado e mais respeitoso para as pessoas e a diversidade das ideias. Será uma linguagem tranquila, as ações não se medem pela arrogância das palavras", disse.

Como amostra da nova rota europeísta deste Governo, depois de 14 meses de tensões com a UE, Conte afirmou que "as ações coordenaram-se tanto no interno como com a UE".

Conte afirmou que espera "muitos desafios, começando com a próxima lei orçamental, que terá que guiar o país para uma perspetiva sólida de crescimento e desenvolvimento sustentável, num contexto macroeconómico internacional caraterizado por uma profunda incerteza". A principal conquista será "evitar o aumento do IVA".

"Temos a oportunidade histórica de fazer uma mudança profunda nas políticas económicas e sociais, o que oferece uma perspetiva de desenvolvimento e esperança aos jovens, às famílias de baixos rendimentos, assim como a todo o sistema de produção", afirmou.

E disse que se trabalhará para aumentar "a participação na vida laboral dos grupos de população até agora excluídos...sobretudo os jovens e as mulheres, e particularmente no sul (do país)".

Conte assegurou hoje que haverá "uma progressiva e inexorável revisão das concessões", fazendo referência a um assunto polémico, a possível retirada das concessões à Autostrade, filial da Atlantia, que era responsável da manutenção da ponte Morandi de Génova que se desmoronou há um ano, causando 43 mortos.

O M5E fez sempre desta retirada um cavalo de batalha, mas o novo ministro de Infraestrutura, do PD, baixou essas expectativas, dizendo apenas que "serão revistas".

Conte foi hoje claro: disse que "não haverá nenhum compromisso com os interesses privados" e que o único objetivo do Governo é "a tutela dos interesses públicos e a memória das 43 vítimas, uma tragédia que ficará como uma pagina indelével da nossa história".

Antes de começar o seu discurso, Conte agradeceu o trabalho de mediação do presidente italiano, Sergio Mattarella, "uma referência imprescindível", que conseguiu que se formasse esta coligação de Governo, evitando a realização de eleições, depois do líder da Liga, Salvini, provocar a crise ao dar por morta a sua coligação com o M5E.