EFEHaia

As consequências económicas e sociais da pandemia de covid-19 ameaçam criar "condições ideais" para que o crime organizado "se propague e crie raízes" na União Europeia (UE), onde o tráfico de droga continua a ser "o maior negócio criminoso", presente em quase 40% das redes criminosas, confirmou a Europol esta segunda-feira.

Num relatório publicado por esta agência de coordenação policial, as autoridades europeias advertem que "o crime organizado e grave nunca representou uma ameaça tão grande para a UE", o que também se traduz em tráfico e exploração de seres humanos, tráfico ilícito de migrantes, fraude online e na vida real, e crimes contra a propriedade.

O relatório confirma também que quase 60% das redes criminosas vigiadas estão envolvidas em "atos de corrupção", com 40% do total ativas no tráfico e produção de droga, sendo este o "maior negócio criminoso na UE", segundo a Europol, que sublinha que os criminosos "geram e branqueiam" milhares de milhões de euros por ano.

"A escala e complexidade das atividades de branqueamento de capitais na UE foram anteriormente subestimadas. Os lavadores de dinheiro profissionais estabeleceram um sistema financeiro paralelo clandestino e utilizam todos os meios para se infiltrarem e prejudicarem as economias e sociedades europeias", reconhece a agência europeia.

Além disso, sublinha que as estruturas empresariais legais são utilizadas para facilitar praticamente todos os tipos de atividades criminosas com impacto na UE e que mais de 80% das redes criminosas ativas em território comunitário utilizam "estruturas empresariais legais" para as suas atividades.

Durante a última fase, o uso da violência também aumentou "em termos de frequência de uso e severidade", bem como a ameaça de incidentes violentos devido ao uso frequente de armas de fogo ou explosivos em espaços públicos.

"Os criminosos são nativos digitais. Praticamente toda a atividade criminosa tem agora alguma componente online e muitos crimes migraram inteiramente para o espaço digital. Exploram as comunicações encriptadas para estabelecer contactos entre si, utilizam redes sociais e serviços de mensagens instantâneas para alcançar um público mais vasto e publicitam produtos ilegais ou difundem desinformação", conclui a Europol.

A ministra da Justiça portuguesa, Francisca Van Dunem, salientou em comunicado que "o reforço do espaço de liberdade, segurança e justiça exige que todos nós construamos uma Europa onde os cidadãos se sintam seguros, livres e protegidos, uma Europa que promova a justiça para todos, garantindo o respeito pelos direitos humanos e protegendo as vítimas da criminalidade".

Van Dunem afirmou que a cooperação e intercâmbio de informação são "essenciais para combater a criminalidade organizada e grave e o terrorismo" e para fazer frente a esta "ameaça que a UE enfrenta".