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O Governo britânico apresentou formalmente um pedido desculpas à rainha Isabel II por duas festas na sua sede, Downing Street, a 16 de abril do ano passado, na véspera do funeral do príncipe Filipe de Edimburgo e quando o Reino Unido estava em luto, informou esta sexta-feira um porta-voz.

A fonte disse que os eventos, nos quais o primeiro-ministro, Boris Johnson, não esteve presente, foram "lamentáveis", e confirmou o pedido de desculpas transmitido à Casa Real.

A 17 de abril, Isabel II, de 95 anos, assistiu ao funeral do seu marido no castelo de Windsor, sentada sozinha e com máscara, em cumprimento das restrições de combate à pandemia que membros do Executivo ignoraram.

"É muito lamentável que isto tenha acontecido num momento de luto nacional e o número 10 de Downing Street (residência oficial de Johnson) pediu desculpas ao palácio", afirmou o porta-voz em declarações à imprensa.

"Já ouviram o primeiro-ministro esta semana, reconheceu que Downing Street deve estar sujeito aos mais altos padrões e assumir a responsabilidade pelas coisas que não foram feitas corretamente", acrescentou.

O jornal "The Daily Telegraph" revelou esta quinta-feira que foram organizadas duas festas até tarde na sede governamental, uma de despedida do então diretor de comunicações de Johnson, James Slack, e outra para um fotógrafo oficial.

Num comunicado difundido esta sexta-feira pela News UK, editora do jornal "The Sun", do qual agora é vice-diretor, Slack assume "plena responsabilidade" por um evento que "não devia ter acontecido".

"Desejo pedir desculpas sem reservas pela indignação e dor causada. Esse sucedido não devia ter acontecido naquela altura. Lamento muito e assumo plena responsabilidade", indicou o jornalista.

Slack indica que não pode fazer mais comentários até que a segunda secretária do Ministério do Equilíbrio Territorial, Habitação e Comunidades, Sue Gray, conclua dentro de uns dias a sua investigação interna sobre várias festas em Downing Street que supostamente infringiram as normas sanitárias e sociais, entre elas uma a 20 de maio de 2020 à qual Johnson admite ter estado presente.

A notícia destas duas últimas festas organizadas enquanto a monarquia chorava a morte do príncipe Filipe a 9 de abril aos 99 anos acrescenta pressão sobre o líder "tory", cuja demissão já foi pedida pela oposição e alguns deputados conservadores.