EFEBanguecoque

As autoridades da Tailândia abriram uma investigação após a descoberta de 65 membros da minoria perseguida rohingya numa ilha do sul do país, a onde chegaram depois do barco no qual viajavam ter encalhado, informaram hoje à Efe fontes oficiais.

Um grupo de 31 mulheres, 29 homens e 5 crianças rohingyas foram localizados na madrugada de terça-feira em Rauhi, uma ilha do parque nacional Tarutao, na província de Satun (sul), disse à Efe Nawee Hemman, diretor da esquadra de Koh Lipe.

Além disso, um representante do parque natural de Tarutao, que pediu não ser identificado, precisou que também localizaram outras seis pessoas, um tailandês, capitão do navio, e cinco tripulantes birmaneses, que poderão ser acusados de tráfico humano.

"Agora estamos a investigar se (os rohingyas) são (imigrantes) ilegais e se os mantemos detidos", acrescentou à Efe Hemman, que confirmou também a localização dos seis suspeitos.

As autoridades não precisaram se o grupo partiu do Bangladesh, onde milhares de rohingyas se refugiam desde 2017 por causa de uma campanha de fustigação do Exército birmanês, ou desde a Birmânia (Myanmar).

No passado mês de agosto, uma operação militar no estado de Arracão, no oeste de Myanmar, resultou na morte de milhares de rohingyas e a fuga para território bengali de mais de 725.000 membros desta minoria birmanesa perseguida no país.

Desde então os deslocados rohingyas encontram-se no Bangladesh, hospedados no maior complexo de campos de refugiados do mundo.

As Nações Unidas classificou a atuação do Exército como "genocídio intencional", enquanto cerca de 120.000 membros desta comunidade vivem em Myanmar em campos de deslocados internos ou em aldeias onde são vigiados pela polícia.

Myanmar não reconhece a cidadania dos rohingyas, aos quais considera imigrantes bengalis, e submete-os há vários anos a todo o tipo de discriminações, incluídas restrições à liberdade de movimentos.

Os migrantes imigrantes ilegais rohingyas utilizam a baía de Bengala e o mar de Andaman como rota marítima para entrar noutros países do continente para fugir da discriminação em Myanmar e em busca de melhores oportunidades de vida.