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O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, informou esta quinta-feira de que o Governo está a analisar as consequências da decisão da Argélia de congelar o comércio externo com Espanha e dará uma resposta "serena, construtiva, mas firme" a favor dos interesses espanhóis.

A Argélia decidiu ontem suspender o Tratado de Amizade, Boa Vizinhança e Cooperação com Espanha, e os bancos argelinos ordenaram o congelamento dos débitos diretos relacionados com as operações de comércio externo de produtos e serviços de e para Espanha.

O chefe da diplomacia espanhola já tinha lamentado na quarta-feira a decisão argelina de suspender o tratado entre os dois países e disse que não temia represálias em matéria de energia porque a Argélia, um dos principais fornecedores de gás à Espanha, é um parceiro fiável.

Na sequência destas declarações, foi comunicado que a Associação Profissional Argelina de Bancos e Estabelecimentos Financeiros (ABEF) ordenou o congelamento dos débitos diretos.

Albares referiu-se hoje a esta decisão para explicar, em declarações à imprensa, que o Governo está a analisar as suas implicações tanto em Espanha como na União Europeia (uma tarefa que acredita que será concluída esta quinta-feira) a fim de dar "a resposta apropriada".

"Uma resposta serena, construtiva, mas também firme na defesa dos interesses de Espanha e das empresas espanholas", sublinhou.

O ministro reiterou o desejo do Governo espanhol de ter as melhores relações com a Argélia e a sua adesão a todo o conteúdo do tratado de amizade bilateral, o qual, recordou, inclui a igualdade soberana dos Estados e a não ingerência em assuntos internos.

A decisão argelina conheceu-se depois do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, ter defendido ontem a sua inversão da posição de Espanha sobre o Sahara Ocidental.

Sánchez foi ao Parlamento para informar sobre as relações com Marrocos na sequência da nova posição do Governo espanhol sobre o Sahara Ocidental, antiga colónia espanhola, para a qual aceita agora autonomia, tal como proposto pelo país norte-africano.

Quando perguntado se o congelamento do comércio poderá afetar o fornecimento de gás da Argélia a Espanha, Albares ressaltou que o seu significado prático está a ser estudado, mas salientou que o fluxo de gás "não tem qualquer inconveniente neste momento".

"O que as companhias de gás nos dizem é que não há qualquer dificuldade em relação a esta medida", argumentou.

Albares recordou as palavras do presidente da Argélia, Abdelmadijd Tebboune, nas quais garantiu o fornecimento de gás a Espanha no passado 24 de abril.

O ministro não quis revelar se houve contactos diplomáticos entre Espanha e Argélia após se ter conhecido a decisão deste país e apelou à discrição.