EFELos Angeles (EUA)

Uma coligação de 29 estados e cidades entrou esta terça-feira com uma ação contra o governo dos Estados Unidos para tentar impedir o desmantelamento de um plano aprovado pelo ex-presidente Barack Obama em 2015 para restringir o uso de centrais termoelétricas à base de carvão.

Liderados pelos estados da Califórnia e de Nova Iorque, a coligação quer impedir a implementação do programa batizado como Energia Limpa Acessível (ACE), criado pelo presidente Donald Trump para substituir o Plano de Energia Limpa de Obama.

"A tentativa do presidente Trump de destruir o Plano de Energia Limpa é uma parvoíce. Também é ilegal", disse o procurador-geral da Califórnia, Xavier Becerra, numa conferência de imprensa convocada para anunciar o processo coletivo contra o governo.

O Plano de Energia Limpa é considerado como uma das principais conquistas de Obama na luta contra a crise climática. Entre outras medidas, o projeto exigia a redução em 32% das emissões geradas pelas termoelétricas à base de carvão até 2030, com base nos níveis de 2005. A ideia era, a longo prazo, substituí-las por centrais que usam fontes renováveis.

A ação conjunta argumenta que a proposta de Trump não reduz de maneira significativa a emissão de gases estufa e ainda promove o aumento da poluição do ar ao prolongar a existência das centrais que funcionam à base de carvão.

Os estados e cidades acusam o governo de também tentar minar a autoridade da Agência de Proteção Ambiental (EPA) na regulação das emissões, o que contraria decisões do Congresso.

Em junho, o atual diretor da EPA, Andrew Wheeler, anunciou o plano de Trump para o setor, argumentando que Obama tinha abusado do poder presidencial ao implementar o Plano de Energia Limpa, na época atacado por estados liderados por republicanos.

A ação foi assinada por 22 estados, entre eles Nova Iorque, Califórnia, Wisconsin, Colorado e Carolina do Norte, assim como oito cidades, entre elas Los Angeles, Nova Iorque, Chicago e Washington.

"À medida que o governo Trump tenta nos levar para trás na luta pelo futuro dos nossos filhos, a Califórnia continuará a avançar na casa da liderança climática americana", disse o governador da Califórnia, Gavin Newson, que apoia o processo contra a Casa Branca.

Já a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, ressaltou em comunicado que o mundo caminha para um "desastre climático" e que é preciso adotar uma "correção significativa de rumo".