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Um total de 59 supostos terroristas morreram na última semana no norte de Moçambique em confrontos com o exército pelo controlo de uma cidade portuária estratégica, informaram hoje as Forças Armadas em comunicado.

Os confrontos estão a ser lavrados na cidade de Mocimboa da Praia, na província de Cabo Delgado, onde opera o grupo jihadista Al Shabab, que não tem relação com a organização do mesmo nome na Somália mas que possui vínculos com o Estado Islâmico (EI).

A cidade, perto da fronteira com a Tanzânia, está perto de vários projetos de extração de gás de grande envergadura, e os cargueiros utilizam o seu porto para abastecer estes locais.

Os media locais asseguram que os jihadistas tomaram o controlo da cidade, que já atacaram várias vezes este ano, mas o Exército explicou no comunicado que na última semana tomou "ações relevantes contra a tentativa dos terroristas de ocupar a cidade de Mocimboa da Praia".

"Infiltrados nas comunidades, os terroristas realizaram ataques sequenciados às aldeias de Anga, Buji, Auasse e à cidade de Mocimboa da Praia", disseram as Forças Armadas, sublinhando que os combates causaram "59 baixas humanas infligidas aos terroristas" e à "destruição de seis campos".

"Neste momento continuam as ações destinadas a neutralizar os terroristas, que usam a população como escudo", assinala o comunicado oficial.

O site de notícias local Zitamar News noticiou que "uma grande parte da cidade" caiu nas mãos dos jihadistas na terça-feira, quando as forças navais moçambicanas ficaram sem munições, embora o Governo, até agora, ainda não o tenha confirmado.

A rutura da rede elétrica e de telefonia móvel na zona está a dificultar as comunicações com Mocimboa da Praia.

O grupo jihadista está ativo em Cabo Delgado desde outubro de 2017, quando começou os seus ataques nesta região rica em pedras preciosas (rubis) e gás natural, que conta com a presença na região de grandes multinacionais como a italiana ENI ou a americana Anadarko.

A 24 de abril, o Governo moçambicano admitiu pela primeira vez a presença da organização jihadista Estado Islâmico (EI) no país, apesar dos fundamentalistas terem vindo a reivindicar ataques nesta área desde meados de 2018.

De acordo com o Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (ACLED), mais de 1.500 pessoas morreram em Cabo Delgado como resultado da "violência organizada" desde outubro de 2017, entre os quais mais de 950 civis.