EFERio de Janeiro

As redes sociais Facebook e Instagram retiraram das suas plataformas o vídeo em que o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de extrema-direita, ligou o uso das vacinas contra a covid-19 ao desenvolvimento da sida.

O vídeo, cujo acesso foi bloqueado na noite de domingo, corresponde à última transmissão em direto que o chefe de Estado costuma fazer às quintas-feiras para os seus seguidores.

No direto da última quinta, Bolsonaro, que se caracterizou pela sua negação quanto à gravidade da pandemia de coronavírus, citou um suposto artigo da revista Exame, que não passava de uma notícia falsa, segundo a qual algumas pessoas vacinadas contra a covid foram diagnosticadas com sida.

"Vou só dar a notícia. Não a vou comentar porque já falei sobre isto no passado e fui muito criticado. Relatórios oficiais do Governo do Reino Unido sugerem que pessoas totalmente vacinadas estão a desenvolver sida 15 dias depois da segunda dose. Leiam essa notícia. Não vou ler aqui porque posso ter problemas com a minha transmissão", disse o presidente brasileiro.

De acordo com porta-vozes da Facebook, o vídeo foi removido da plataforma porque as políticas da empresa "não permitem alegações de que as vacinas contra a covid-19 matam ou causam sérios danos às pessoas".

Esta é a primeira vez que a Facebook remove uma das transmissões semanais de Bolsonaro das suas plataformas. Em março de 2020, porém, a companhia retirou um vídeo em que o presidente, numa conversa com apoiantes, recomenda tratar a covid com o uso de cloroquina, medicamento sem efeitos comprovados contra a covid, e defende o fim das medidas de distanciamento social.

Logo após a exclusão do vídeo, Bolsonaro, em resposta a um comentário de um apoiante no Facebook, afirmou que apenas leu uma notícia publicada por uma revista.

A suposta notícia da revista Exame, porém, foi publicada em outubro de 2020, quando as vacinas contra a covid ainda estavam em desenvolvimento e as campanhas de vacinação ainda não tinham começado.

Os supostos relatórios oficiais do Governo do Reino Unido sobre pessoas vacinadas que tinham sido diagnosticadas com sida também foram desmentidos.

Na véspera da transmissão em direto de Bolsonaro, uma comissão do Senado divulgou um duro relatório sobre a pandemia no Brasil, no qual acusava o chefe de Estado de "crimes contra a humanidade" por ter agravado a crise com sua postura negacionista.