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O Governo de Espanha confirmou esta quarta-feira que a Agência Tributária abriu uma investigação fiscal sobre o rei emérito Juan Carlos I relacionada com duas regularizações fiscais que fez há alguns meses no valor de 5 milhões de euros.

A primeira vice-presidente do Governo, Carmen Calvo, falou sobre o tema na Comissão Constitucional do Congresso.

A Agência Tributária quer verificar se as duas declarações fiscais complementares apresentadas por Juan Carlos I, pai do atual rei, Felipe VI, foram feitas corretamente.

Apesar desta investigação e de outra realizada pela Procuradoria do Supremo Tribunal sobre supostas irregularidades fiscais cometidas por Juan Carlos I, Calvo enfatizou que o rei emérito "não está em fuga" nos Emirados Árabes Unidos, para onde se decidiu mudar no dia 3 de agosto do ano passado, antes de informações reveladas sobre a sua fortuna no exterior.

Segundo Calvo, Juan Carlos "voltará quando precisar ou quiser voltar" a Espanha, mas reiterou que "neste momento não tem nenhuma situação a responder à Justiça".

"(Juan Carlos) fez uma regularização tributária que está atualmente sob investigação da própria Agência Tributária e está em plena presunção de inocência como o resto dos espanhóis. Gostemos ou não de outras questões que foram reprovadas por uma parte significativa da opinião pública com razão", disse.

Para evitar ser acusado de crimes fiscais, o rei emérito de Espanha fez uma primeira regularização tributária em dezembro do ano passado, no valor de 678.393 euros, para doações recebidas de um empresário mexicano, Allen Sanginés-Krause, e uma segunda em fevereiro deste ano, de 4,3 milhões de euros, para o pagamento de viagens e despesas pessoais do seu primo Álvaro de Orleans.

Calvo considerou justificado que o Estado espanhol pague as despesas dos três ajudantes que estão em Abu Dhabi com Juan Carlos I na sua qualidade de ex-chefe de Estado, mas esclareceu que "a estadia não é financiada com recursos públicos".