EFEParis

O Governo francês quer que as redes sociais levem mais a sério a luta para conter as mensagens de ódio que circulam nas suas plataformas, pois considera que tiveram um papel relevante no ataque jihadista da última sexta-feira, que culminou com o assassinato do professor Samuel Paty.

A ministra da Cidadania, Marlène Schiappa, disse esta terça-feira, numa em entrevista à emissora "RTL", que "as redes sociais por enquanto não levaram a sério o que está a acontecer com o discurso de ódio online". Pouco depois da entrevista, a ministra recebeu em reunião os responsáveis por algumas dessas redes sociais em França, como Twitter, Facebook e Snapchat.

"Não posso aceitar que existam crianças que encontrem vídeos de apedrejamento, decapitação, com fotos horríveis e que sejam doutrinadas. As redes sociais devem assumir a sua responsabilidade", salientou.

Schiappa lembrou que as autoridades públicas desenvolveram a plataforma Pharos para denunciar conteúdos ilegais online, que desde o início do ano removeu "mais de 3 mil conteúdos" e cancelou as referências de mil sites da Internet.

"Queremos que haja o mesmo nível de mobilização nas redes sociais", acrescentou.

Por seu lado, o ministro da Justiça francês, Éric Dupont-Moretti, destacou que é necessária uma ação ao nível europeu, pois a legislação em vigor sobre conteúdos online está baseada numa diretiva sobre o comércio eletrónico de 2000, quando "as redes sociais não eram o que são agora".

Em entrevista ao jornal "Le Parisien", Dupont-Moretti defendeu a rápida adoção pelo Parlamento Europeu do texto ali discutido sobre a remoção de conteúdos terroristas online.

Além disso, quer reunir os ministros da Justiça para regulamentar as redes sociais "quando estas permitirem o discurso do ódio".

A nível nacional, Dupont-Moretti afirmou que a repressão vai aumentar, lembrando que, atualmente, a divulgação de vídeos ilegais é punível com até cinco anos de prisão e 75 mil euros de multa.

Cerca de 15 pessoas estão a ser interrogadas pela polícia para determinar o seu possível envolvimento no ataque em que Paty, de 47 anos, foi decapitado, incluindo o pai de um estudante que lançou uma campanha online contra o professor de história, nomeadamente através de um vídeo polémico.

O pai censurou o professor, que partilhou vários elementos da sua identidade nas redes sociais, por ter mostrado aos seus alunos as polémicas caricaturas do profeta Maomé numa aula sobre liberdade de expressão e exigiu a sua punição.