EFEHong Kong

A chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, confirmou hoje que vai adiar as eleições legislativas, previstas inicialmente para o próximo 6 de setembro, devido à pioria da situação da pandemia de COVID-19 na cidade.

Lam invocou uma lei que lhe confere poderes emergenciais para decretar esse adiamento, uma vez que a Portaria do Conselho Legislativo, o regulamento interno do parlamento de Hong Kong, apenas permite ao chefe do Executivo adiá-lo por um período máximo de 14 dias.

"Foi a decisão mais difícil que tive que tomar nos últimos sete meses, mas temos de garantir a segurança das pessoas e que as eleições sejam realizadas de forma livre e justa", afirmou Lam durante uma conferência de imprensa, onde confirmou a nova data para 5 de setembro de 2021.

"Essa decisão necessária tem o total apoio do Governo de Pequim", disse.

Após a conferência de imprensa, a agência estatal chinesa "Xinhua" publicou um comunicado do Executivo Central a confirmar esse apoio e a explicar que será agora o Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo (ANP, Parlamento chinês) a tomar uma decisão sobre como gerir o vácuo no parlamento de Hong Kong.

A Lei Básica (a constituição de Hong Kong) indica que as legislaturas terão uma duração de quatro anos, pelo que a atual termina a 30 de setembro.

Entre os motivos dados para adiar as eleições, destaca-se o risco de contágio devido à aglomeração de eleitores e trabalhadores nas mesas de voto ou a impossibilidade dos residentes de Hong Kong que vivem no exterior de voltarem e votar devido à obrigação de ficar duas semanas em quarentena.

Como as leis locais não permitem o voto por correio ou de forma eletrónica, "haverá mais de 3 milhões de pessoas a sair no mesmo dia para votar, de modo que as aglomerações não podem ser evitadas", disse Lam.

A líder do Executivo de Hong Kong dedicou boa parte da conferência de imprensa a detalhar o agravamento da situação da COVID-19 na região para justificar a decisão: "A transmissão (do vírus) pode continuar por semanas ou mais, segundo especialistas".

De acordo com dados do Centro de Proteção da Saúde de Hong Kong, já existem 3.152 casos confirmados na cidade, 47,5% dos quais foram detetados nas últimas duas semanas, enquanto o número de mortes aumentou para 25.

O anúncio de Carrie Lam ocorreu apenas uma hora após o prazo para apresentar os candidatos às eleições, para os quais já são vetados diversos nomes da oposição, incluindo figuras proeminentes do movimento pró-democrático, como o chefe do Partido Cívico, Alvin Yeung, ou um dos líderes da "Revolta dos guarda-chuvas" de 2014, Joshua Wong.

As eleições para o Conselho Legislativo são o voto popular mais importante em Hong Kong, já que o chefe do Governo não é eleito por voto direto, apesar de ser uma das reivindicações mais antigas dos pró-democratas.