EFELondres

O diretor-executivo do aeroporto londrino de Heathrow, John Holland-Kaye, apelou ao Governo britânico para parar de colocar os viajantes em quarentena e introduzir um sistema de testes para as pessoas que chegam ao país.

Este pedido surge após o aeroporto ter apresentado esta semana uma perda de 1.100 milhões no primeiro semestre do ano.

Holland-Kaye disse à BBC que os resultados financeiros de Heathrow deviam servir de "alerta" para impor um sistema de testes aos viajantes, em vez da quarentena de 14 dias que os passageiros que chegam de Espanha ou Portugal têm de passar.

A solução, de acordo com esta fonte, seria mitigar o requisito de isolamento de 14 dias para países que não fazem parte da lista verde do Governo, caso o teste seja negativo.

"Testar os viajantes é uma forma de abrir viagens e comércio para alguns dos maiores mercados e empresas do Reino Unido que ainda se encontram fechados até à data", disse Holland-Kaye.

O Executivo de Boris Johnson anunciou esta semana que há países que poderão ser retirados desta lista verde se houver sinais de uma nova vaga de COVID-19 na Europa, ao mesmo tempo que recomenda contra as viagens a Espanha, incluindo as ilhas Baleares e Canárias.

Operadores como a Jet2 e a TUI comunicaram também o cancelamento dos seus pacotes de férias para as próximas semanas, enquanto Heathrow explicou que o número de passageiros no seu aeroporto diminuiu 96% entre abril e junho a respeito do ano passado.

Contudo, em declarações à BBC, o secretário de Estado da Cultura e do Desporto, Oliver Dowden, explicou que neste momento "não há alternativa viável aos 14 dias de quarentena".

"Se pudéssemos, de alguma forma, evitar impor uma quarentena de 14 dias em segurança, é claro que o faríamos, mas não estamos num ponto em que exista uma alternativa viável", disse Dowden.

"Temos que nos assegurar que as medidas que tomamos no Reino Unido para manter este vírus sob controlo não foram tomadas em vão ao permitir que venham contagiados de outras partes", acrescentou.

Sobre as pessoas que planeiam organizar as suas férias nestas circunstâncias, Dowden disse que o podem fazer, mas que devem ser conscientes do risco de imposição de uma quarentena.