EFEBudapeste

O primeiro-ministro da Hungria, o ultranacionalista Viktor Orbán, deixou hoje claro que o seu Governo, enquanto teme que a guerra na Ucrânia se aproxime do seu território, rejeita aprovar um sétimo pacote de sanções contra Moscovo, e nem sequer quer falar em suspender as importações de gás russo.

"A Hungria vai-se opor à adoção de um novo pacote de sanções (da UE), ainda mais se planearem incluir sanções relacionadas com o gás", disse Orbán na sua conversa regular de sexta-feira na rádio pública Kossuth.

O planeamento de um eventual embargo às importações europeias de gás natural da Rússia não é "para a Hungria uma base de negociação".

O chefe do Governo húngaro assegurou que já na cimeira da União Europeia (UE) da semana passada tinha dado aos seus colegas da UE "avisos calmos para não tentar lançar um sétimo pacote de sanções (contra a Rússia)".

Orbán, visto como o melhor aliado do presidente russo, Vladimir Putin, na UE, recordou que a Hungria acabou por concordar, após forte relutância, em aprovar o sexto pacote de sanções contra Moscovo e o seu embargo ao petróleo bruto russo só depois de ter obtido amplas isenções para o seu país.

Mas a questão do gás "seria muito mais grave", salientou, aludindo à elevada dependência energética do seu país desta fonte de energia, 85% da qual compra à Rússia, que além disso lhe vende 65% do petróleo consumido na Hungria.

Budapeste argumenta que se precisa de paz, não sanções. "Nenhum outro país diz isso. Estou sozinho com essa mensagem", disse Orbán.

Por outro lado, falou da possibilidade de um eventual "colapso da frente ucraniana" contra a Rússia poder significar um alargamento da guerra a áreas mais a oeste e mais próximas da fronteira húngara.

Embora tenha admitido que este cenário é atualmente hipotético, o primeiro-ministro considerou que o país se deve preparar para o enfrentar se necessário, e para isso defendeu o desenvolvimento de maiores capacidades militares.