EFEIstambul

O general emiradense Ahmed Naser al Raisi, acusado de torturas, foi eleito esta quinta-feira presidente da Interpol na assembleia que este organismo internacional de cooperação policial realiza em Istambul.

"Ahmed Naser al Raisi, dos Emirados Árabes Unidos, foi eleito para o cargo de presidente (para um período de quatro anos)", anunciou a Interpol na sua conta do Twitter.

Várias organizações internacionais, entre elas a Human Rights Watch, alertaram contra a candidatura de Al Raisi, apontando que o general é um dos máximos responsáveis policiais num país acusado de reprimir duramente a dissidência.

David Calvert-Smith, antigo procurador chefe de Inglaterra, publicou no passado abril um relatório no qual assegurava que Al Raisi "supervisionou a crescente repressão sobre os dissidentes, a tortura contínua e os abusos do sistema de justiça" dos Emirados.

Os advogados de dois cidadãos britânicos avançaram uma denúncia formal por torturas contra Al Raisi.

Um deles é Matthew Hedges, que foi condenado a prisão perpétua nos Emirados por acusações de espionagem mas indultado e colocado em liberdade há três anos.

Além disso, o Centro do Golfo pelos Direitos Humanos interpôs uma denúncia formal contra Al Raisi em França, país que alberga a sede central da Interpol, na cidade de Lyon, alegando torturas ao blogger emiradense detido Ahmed Mansur.

Um gabinete de advogados turcos entregou à Procuradoria uma denúncia contra o general por torturas a Mansur, mas esta deverá ser assinada pelo Ministério da Justiça turco antes de se tornar efetiva.

Al Raisi derrotou a única outra candidata, a checa Sarka Havrankova, que se apresentou no Twitter com a promessa de adequar o trabalho da Interpol ao "espírito da Declaração Universal de Direitos Humanos".