EFETeerão

As autoridades iranianas asseguraram neste domingo que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) não solicitou novas inspeções para verificar o cumprimento do acordo nuclear, e pediu que o organismo não se submeta às pressões dos Estados Unidos.

O chefe da Agência Iraniano da Energia Atómica, Ali Akbar Salehi, disse que espera que o órgão internacional "se mantenha imparcial e que, de modo totalmente independente, outorgue as suas opiniões técnicas", segundo informou a agência oficial "Irna".

Salehi expressou-se assim depois de se reunir em Teerão com o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, que se reunirá também durante a sua visita com o presidente iraniano, Hassan Rohani, e o chefe da diplomacia, Mohamad Yavad Zarif.

A visita de Amano acontece duas semanas depois de que o presidente americano, Donald Trump, decidiu não certificar o cumprimento do Irão do pacto e ameaçou abandoná-lo se os seus "defeitos" não forem corrigidos.

Considerando esta situação, que Salehi qualificou de "sensível e difícil", o funcionário iraniano expressou a sua esperança em que o organismo internacional continue com a sua via neutra, apesar de estar submetido a "muitas pressões".

Entre outras medidas, os EUA exigiram que AIEA realize mais inspeções no Irão, concretamente nas suas instalações militares, no marco do acordo conhecido formalmente como JCPOA (Plano Integral de Ação Conjunta).

A esse respeito, Salehi reforçou que "Amano não pediu uma inspeção nova" e que as visitas às instalações militares não estão recolhidas "nem no protocolo adicional, nem no acordo de salvaguardas, nem nos artigos do JCPOA".

O chefe da agência iraniana detalhou que a chamada "seção T" do acordo nuclear "não inclui inspeções especificas, mas compromissos voluntários aos quais o Irão sempre esteve comprometido".

Tal "seçãoT" proíbe a Teerão tecnologias que podem ser utilizadas para desenvolver armas atómicas, mas o acordo não deixa claro como se deve vigiar o respeito desse compromisso, o que gerou diversidade de opiniões.

Salehi garantiu que o Irão quer manter o acordo nuclear, mas advertiu que uma ruptura do pacto "terá consequências imprevisíveis e indescritíveis".

Como já fez anteriormente, afirmou que em "quatro dias" o Irão poderia voltar a enriquecer urânio a 20%, quando agora o seu limite é 4%.

O acordo nuclear, assinado em julho de 2015 entre o Irão e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) limita o programa atómico iraniano para evitar que a República Islâmica desenvolva armas nucleares, em troca da suspensão das sanções internacionais.