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O rei Juan Carlos I ocultou milhões de euros em ações de grandes empresas espanholas em dois bancos suíços através das contas da Fundação Zagatka, a empresa que alegadamente utilizou para ocultar a cobrança de comissões ilegais, segundo publica esta terça-feira o jornal El Confidencial.

Este jornal digital assegura que durante quase duas décadas o pai do atual monarca espanhol foi acionista do BBVA, Santander, Iberdrola, ACS, Ence, Abertis, Endesa, Acciona e Repsol, entre outras empresas, e que o titular destes investimentos era a Fundação Zagatka, dirigida pelo seu primo Álvaro de Orleans.

De acordo com os documentos aos quais o El Confidencial teve acesso, as contas da fundação nos bancos suíços Credit Suisse e Lombard Odier registaram movimentos de compras de "montantes milionários" de ações com o dinheiro que recebia de alegadas operações de comissões ilegais de intermediação.

Desta forma, a fundação investia automaticamente estas comissões na bolsa e produtos financeiros de modo a tentar obter novos retornos.

Quando se realizaram vendas parciais destas ações, o dinheiro obtido foi supostamente utilizado por Juan Carlos I para pagar voos privados, estadias em hotéis ou simplesmente para dispor de dinheiro.

Entre as transações realizadas, o jornal detalha uma no dia de reis de 2009 com a qual a Fundação Zagatka adquiriu 35.000 ações da Iberdrola por 235.136 euros ou ter recebido seis dias depois 1.500 euros do dividendo gerado por 15.000 ações do Banco Popular e outros 5.200 euros de um bónus em títulos do BBVA.

Além das empresas espanholas do Ibex -o jornal reporta sobre outras transações envolvendo ações do Banco Santander, Endesa ou Acciona-, a Fundação Zagatka registou transações com fundos de investimento internacionais como a companhia de seguros suíça Swiss Re, a companhia petrolífera Total, ou a empresa alemã de energia Eon.