EFELos Angeles (EUA)

Clarence Thomas, um dos juízes conservadores do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, afirmou esta sexta-feira numa sentença que as vacinas contra a covid-19 foram desenvolvidas a partir de células de "crianças abortadas".

O juiz, que na semana passada votou a favor da anulação das proteções ao aborto, redigiu essa sentença num parecer contrário aos restantes membros do Supremo Tribunal, que rejeitaram um caso no qual um grupo de profissionais de saúde pedia a anulação da obrigatoriedade da vacinação imposta em Nova Iorque com base em considerações religiosas.

Enquanto a maioria do tribunal rejeitou o caso, Thomas assegurou que os profissionais de saúde se opõem "por razões religiosas" a todas as vacinas contra a covid-19 disponíveis porque "foram desenvolvidas através do uso de linhas celulares derivadas de crianças abortadas".

Segundo o juiz, o Supremo Tribunal devia ter ouvido os argumentos dos litigantes, que argumentavam que a sua isenção religiosa estava protegida pela Constituição dos Estados Unidos.

O suposto uso de células de fetos abortados tem sido uma das notícias falsas mais difundidas sobre as vacinas contra o coronavírus.

Na decisão de sexta-feira sobre o aborto, Thomas -o único negro do Supremo Tribunal e um dos juízes mais conservadores- emitiu uma opinião na qual encorajou diretamente os seus colegas a reverem outras decisões anteriores usando o mesmo prisma da decisão sobre a interrupção da gravidez.

O juiz citou o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito ao uso de anticoncetivos, que, como no caso do aborto, não são explicitamente protegidos por nenhuma lei federal, mas dependem das interpretações que o Supremo Tribunal fez à época quanto à sua adequação à Constituição.