EFEParis

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, cujo partido deverá ser o primeiro da oposição na nova Assembleia Nacional, anunciou que os seus deputados vão trabalhar para bloquear as grandes reformas prometidas pelo presidente, Emmanuel Macron, começando pela das pensões.

Em declarações à imprensa no seu reduto de Hénin Beaumont, onde ontem foi amplamente reeleita como deputada na segunda volta das eleições legislativas em França, destacou que agora "Emmanuel Macron é um presidente minoritário".

Le Pen assinalou que ontem foi "uma vitória para a União Nacional" (UN) porque com os 89 deputados conseguidos, numa Assembleia de 577, é "o primeiro partido de oposição". Trata-se do maior número de cadeiras obtido por este movimento de extrema-direita desde a sua criação em 1972.

Embora a coligação de esquerda NUPES tenha conseguido 130 deputados, Le Pen descreveu-a como "uma fraude política" porque, na sua opinião, é uma simples junção dos quatro partidos que a compõem (França Insubmissa, Partido Socialista, Partido Comunista Francês e Verdes).

Por isso, reivindicou a liderança da oposição e os dispositivos previstos para quem exerce essa liderança, começando pela presidência da comissão de Finanças na Assembleia Nacional.

Para a líder da extrema-direita francesa, o novo grupo parlamentar no qual os seus 89 deputados estarão vai-lhes permitir "defender os franceses frente a Emmanuel Macron", e sobretudo apoiar a sua linha política da "limitação da insegurança e o controlo da imigração anárquica".

Apesar de ter afirmado que os seus deputados farão "uma oposição firme, mas também construtiva", avançou que tem intenção de atuar para "o bloqueio de todas as reformas de Emmanuel Macron que eram extremamente nocivas, em primeiro lugar a das pensões".

No programa do presidente da República está o aumento da idade de reforma voluntária dos atuais 62 a 65 de modo a garantir a sustentabilidade financeira do sistema, e ao mesmo tempo elevar a pensão mínima a 1.100 euros e indexar as pensões com a inflação.

Macron sofreu ontem um sério revés ao perder a maioria absoluta no parlamento, o que o vai obrigar a procurar alianças com outros grupos. O seu, Ensemble, passou de 350 a 245 deputados.