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O presidente do Equador, Lenín Moreno, afirmou que o fundador do Wikileaks, Julian Assange, "violou reiteradamente as convenções sobre asilo" durante a sua estadia na embaixada do Equador em Londres, pelo que perdeu o direito de permanecer no local, de acordo com uma entrevista divulgada pelo jornal espanhol "ABC" esta sexta-feira.

O presidente do Equador, atualmente em visita a Washington, justificou a decisão "pela permanente intromissão política de Assange em assuntos internos de outros países", como Espanha, França e Estados Unidos, além da divulgação de informações sobre a vida pessoal do próprio Moreno, o que na sua opinião viola o príncipio de "asilo diplomático".

"Não podíamos permitir que o nosso país se tornasse num centro de operação de grupos que procuram afetar a institucionalidade de outros países e afetar o direito à privacidade dos cidadãos", declara o líder equatoriano.

No último dia 11, o Governo do Equador retirou a condição de asilo diplomático a Assange.

Assange, de 47 anos, refugiou-se em 2012 na embaixada do Equador em Londres para escapar da extradição para a Suécia, onde era investigado por crimes sexuais.

O fundador do Wikileaks foi detido pelas autoridades britânicas assim que deixou a embaixada equatoriana.

Moreno ressaltou que a decisão de retirar o asilo foi tomada "soberanamente", sem consultar outros países, como os Estados Unidos, que desejam a extradição de Assange pela divulgação de centenas de milhares de documentos confidenciais em 2010 e pelo seu papel na divulgação de e-mails do Partido Democrata nas eleições de 2016.

Na entrevista, Moreno confirmou, além disso, que desde que a decisão foi tomada, "os ataques cibernéticos aos sistemas informáticos equatorianos duplicaram".