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O Reino Unido vai realizar ensaios com voluntários saudáveis que serão deliberadamente infetados com o vírus da doença da COVID-19 para descobrir a eficácia das vacinas em experimentação, revela o Financial Times (FT).

Estes estudos, financiados pelo Governo britânico, terão início em janeiro numa instalação segura no este de Londres, onde os voluntários permanecerão em quarentena, segundo conseguiu saber o jornal económico junto de fontes familiarizadas com o projeto.

Os investigadores responsáveis por estes ensaios sublinharam que estes terão um papel vital na aprendizagem sobre as melhores vacinas da COVID-19 em desenvolvimento.

Segundo o estudo, um voluntário será inoculado com uma vacina e, um mês depois, receberá uma dose do SARS-CoV-2, o vírus que causa a doença da COVID-19, mas sob supervisão médica rigorosa.

Estima-se que 2.000 pessoas já se tenham inscrito para participar nestes testes no Reino Unido.

O FT recorda que estes tipos de ensaios não são novos, uma vez que em 1796 o médico Edward Jenner, chamado "o pai da imunologia", inoculou um rapaz de 8 anos com a vacina contra a varíola, que ele próprio tinha desenvolvido, e que nos últimos anos estes ensaios foram utilizados para desenvolver vacinas e tratamentos contra a cólera ou malária.

Dominic Wilkinson, professor de ética médica na Universidade de Oxford, disse que quando o mundo enfrenta "uma ameaça global sem precedentes como a COVID-19, é um imperativo ético conduzir estes estudos controlados para ajudar a desenvolver uma vacina e depois identificar a melhor".

Os ensaios, contudo, terão primeiro de ser aprovados pela agência reguladora dos medicamentos do Reino Unido, conhecida com as siglas MHRA.