EFESao Paulo

O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou esta quarta-feira que vai definir se será candidato nas próximas eleições presidenciais entre "fevereiro e março" de 2022.

"Não é o momento de priorizar as eleições de 2022. Ainda estamos a recuperar de uma pandemia que matou mais de 600 mil pessoas e deixou milhares de órfãos" no Brasil, disse o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na entrevista com a rádio "A Tarde de Salvador".

O ex-presidente progressista, que governou o Brasil entre 2003 e 2010, também lamentou que a "fome" e o "desemprego" estejam a "castigar a vida do povo brasileiro".

"Definirei sobre a candidatura para fevereiro/março", ressaltou.

Todas as sondagens de opinião divulgadas até à data colocam Lula como o principal favorito para as eleições presidenciais de outubro de 2022. O ex-presidente recuperou os seus direitos políticos este ano depois da Justiça ter anulado as duas condenações por corrupção que pesavam contra si.

Quem também se pretende candidatar é o atual presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de extrema-direita, cuja popularidade tem caído a pique nos últimos meses devido à grave crise económica e sanitária causada pela covid-19.

Embora ainda mantenha o mistério sobre a sua candidatura, que seria a sétima aos quase 76 anos, Lula viajou a Brasília no início deste mês para se reunir com líderes de diferentes partidos políticos à procura de possíveis alianças para as eleições.

O ex-governante garantiu esta quarta que "vão trabalhar para construir a união dos setores progressistas".

"Sou defensor da ideia de que é normal que cada partido queira o seu candidato, mas os setores progressistas podem-se unir em torno da construção de um programa que priorize a questão social", disse.

No entanto, essa união parece ainda distante após os últimos desacordos entre o líder trabalhista brasileiro Ciro Gomes, que foi candidato à presidência em 2018, e vários líderes do PT, incluindo Lula e a sua sucessora na Presidência, Dilma Rousseff (2011-2016).