EFEBuenos Aires

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, reconheceu derrota nas eleições primárias realizadas no país neste domingo antes mesmo da divulgação dos primeiros resultados provisórios da votação pelo Ministério do Interior.

"Tivemos uma eleição má e isso obriga-nos, a partir de amanhã (segunda-feira), a redobrar os esforços para que em outubro consigamos o apoio necessário para continuar com a mudança", disse Macri num breve discurso no comité de campanha do Juntos pela Mudança.

Com 80,35% dos votos contados, Alberto Fernández, do Frente de Todos, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice, obteve 47,1% do votos, uma vantagem de quase 15 pontos percentuais para Macri, da coligação Juntos pela Mudança, que tem 32,48%. Na terceira posição vem o ex-ministro Roberto Lavagna, do Consenso Federal, com 8,41%.

"Claramente estamos a dar tudo pelo nosso querido país. Dói que hoje não tenhamos tido todo o apoio que esperávamos, mas, a partir de amanhã todos somos mais responsáveis de que este país vá em frente. Portanto, é dormir e recomeçar a trabalhar amanhã de manhã", disse Macri aos seus simpatizantes.

O presidente estava cercado por aliados, entre eles a governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, e o autarca da capital, Horacio Rodríguez Larreta. Ambos tentam a reeleição. Vidal, porém, também sofreu uma derrota similar para o kirchnerista Alex Kicillof. Já Larreta foi o mais votado na cidade de Buenos Aires.

No discurso, Macri ressaltou que os argentinos estão a decidir nestas eleições os próximos 30 anos da Argentina, pedindo que a opção seja por uma candidatura que fortaleça ainda mais a democracia.

O candidato da Juntos pela Mudança reconheceu que o país vive tempos difíceis, numa clara referência à crise económica iniciada em abril do ano passado por uma abrupta desvalorização do peso, mas disse que, junto com a população, pode fazer mais e retirar a Argentina dessa situação se for reeleito.

"Estou aqui para ajudá-los, estou aqui porque amo este país e porque acredito em cada um dos senhores e no que juntos todos podemos fazer. É muito importante que todos continuamos a dialogar neste país e a tentar explicar ao mundo o que é que queremos. Isolados do mundo nós não temos futuro", afirmou Macri.