EFECaracas

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou esta quarta-feira o seu homólogo da Colômbia, Iván Duque, de planear infetar com o novo coronavírus venezuelanos que voltaram do país vizinho para casa.

"A ordem dada por Iván Duque, e eu denunciei-a há duas semanas, numa reunião muito desagradável, foi de fazer tudo o que puder ser feito para contaminar a Venezuela", disso Maduro durante um evento com parte do seu gabinete em Caracas.

O plano, disse o chefe de Estado, também inclui mandar venezuelanos contagiados de regresso ao seu país, onde há 824 casos oficiais, 44% dos quais relatados nos últimos cinco dias.

Nesta quarta foram registados 75 novos casos, 67 dos quais são "importados", 66 deles da Colômbia, segundo Maduro. O presidente venezuelano afirmou que todas essas pessoas infetadas vão permanecer em localidades junto à fronteira até serem curadas.

"É difícil, mas mais difícil é que contaminem o país, que entrem e contaminem toda a Venezuela, como é o desejo de Iván Duque. Tudo isso que digo é porque tenho as provas nas minhas mãos", garante.

O presidente venezuelano pediu às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) e a todas as forças de segurança para se manterem atentas a esse "mal professado de contaminar pessoas", sem especificar o suposto método utilizado pela Colômbia para contaminar os seus compatriotas.

Dos 5 milhões de venezuelanos que deixaram o seu país nos últimos seis anos para escapar da crise económica, cerca de 50 mil voltaram em plena pandemia, de acordo com números oficiais.

A Venezuela completou esta quarta um mês sem registar mortes por COVID-19, tendo apenas dez óbitos, de acordo com os números oficiais.

Das 75 novas infeções, três contraíram o coronavírus por "transmissão comunitária", cinco por contato com viajantes internacionais, e as 67 restantes são encontradas nas fronteiras terrestres que o país faz com Colômbia e Brasil.

Do total nacional de 824 infetados, um dos mais baixos do mundo, 44% foram diagnosticados nos últimos cinco dias, quando houve um pico no número de casos diários, enquanto os restantes 56% foram espalhados entre 13 de março e a última sexta-feira.