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Mais de sessenta lordes trabalhistas assinaram um manifesto num jornal britânico para criticar o líder da oposição do Reino Unido, Jeremy Corbyn, por não combater casos de suposto antissemitismo no seu partido, o Trabalhador.

Os signatários, que representam um terço dos membros trabalhistas na Câmara dos Lordes, consideram que Corbyn preside uma "cultura tóxica" de antissemitismo, de acordo com o documento que aparece esta quarta-feira no jornal "The Guardian".

O Trabalhismo está imerso numa polémica devido a denúncias de alguns dos seus membros por suposta conduta antissemita.

Segundo um recente documentário da BBC, membros do partido acusaram a direção de entorpecer as investigações sobre aparentes atitudes antissemitas e de não dar os passos suficientes para resolver o problema.

Um porta-voz trabalhista ressaltou hoje que Corbyn e o seu partido sempre foram solidários com o povo judeu.

No manifesto publicado hoje, os trabalhistas assinalam que Corbyn fracassou na hora de assumir responsabilidade e ao permitir "que crescesse o antissemitismo" no partido.

"O Partido Trabalhista -assinalam- recebe qualquer um, sem considerar a raça, o credo, a idade, a identidade de género ou a orientação sexual. Exceto, parece, os judeus".

"Este é o seu legado, senhor Corbyn", acrescentam.

"O Trabalhismo já não é um lugar seguro para todos os membros e os que o apoiam", especificam os signatários.

Muitos dos lordes que põem as suas assinaturas foram fortes críticos das políticas de Corbyn.

Um porta-voz trabalhista disse que "independentemente das afirmações falsas e enganosas dos que são hostis às políticas de Jeremy Corbyn, o Trabalhismo está a tomar medidas firmes contra o antissemitismo".

Antigos trabalhadores do partido indicaram que o número de queixas por suposto antissemitismo aumentou sob a liderança de Corbyn (que a assumiu em 2015).

Em abril, o dominical "The Sunday Times" revelou que o partido chegou a receber até 863 queixas por antissemitismo.